Em resposta a perguntas dos jornalistas, na sede da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa considerou, sobre a próxima solução governativa, que "nem vale a pena cenarizar, porque a imaginação do eleitorado ultrapassa sempre todos os cenários que se possa ter considerado".
"É uma das lições que nós tiramos: que o eleitorado descobre sempre saídas, que da sua ótica são as preferíveis", reforçou.
O chefe de Estado tinha sido questionado sobre a notícia do jornal Expresso segundo a qual que, na sequência das legislativas antecipadas de 18 de maio, recusará uma solução governativa que não tenha garantias de ter o respetivo Programa do Governo viabilizado no parlamento.
O Presidente da República começou por responder que não fez "nenhuma declaração pública sobre isso".
Em seguida, falou do passado, referindo-se em particular à formação do atual Governo minoritário PSD/CDS-PP chefiado por Luís Montenegro, agora em gestão, ao qual deu posse em 02 de abril do ano passado.
"Compreender-se-á que logo na altura me preocupasse muito ter a certeza de não aparecer um Governo que não tivesse as garantias mínimas de aceitação do seu programa no parlamento", afirmou.
Marcelo Rebelo de Sousa referiu que nomeou o primeiro-ministro e os demais membros do Governo já "sabendo, porque isso era anunciado, que o Programa do Governo ia ser viabilizado, porque o PS tinha já anunciado isso", o que "dava uma garantia de o Governo ir arrancar".
"Restava a dúvida de saber se o Orçamento a seguir era viabilizado ou não, e trabalhou-se muito para que fosse, e foi", acrescentou.
Interrogado se a viabilização do Programa do Governo na Assembleia da República é uma condição para a formação do próximo executivo, o chefe de Estado respondeu que estava apenas a falar do que aconteceu no passado.
"Não vou pronunciar sobre o futuro por uma razão simples, porque neste momento tudo aquilo que eu possa dizer é uma intervenção e um ruído numa campanha eleitoral que deve correr por si", justificou.
A comunicação social perguntou-lhe se teme vir a deixar a chefia do Estado, em março de 2026, com um Governo em gestão, mas Marcelo Rebelo de Sousa recusou "cenarizar".
Nesta ocasião, o Presidente da República voltou a defender que nas eleições regionais de domingo os madeirenses optaram "pela continuidade, pela estabilidade", sem fazer extrapolações para as legislativas.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, os madeirenses preferiram "manter o que está", em vez do "risco da novidade -- que ali é uma novidade mesmo grande, uma vez que esta continuidade vem desde 1976",
No domingo, o chefe de Estado realçou que "PSD com o CDS têm maioria absoluta" na Assembleia Legislativa Regional da Madeira.
Questionado hoje se tem garantias de um acordo de governação entre os dois partidos, respondeu: "Eu referia-me ao facto de eles estarem no Governo juntos, e têm estado ao longo dos últimos anos. Portanto, embora concorrendo separadamente, corresponde a uma realidade que existe".
[Notícia atualizada às 18h58]
Leia Também: Marcelo promulga lei que fixa 18 anos como idade mínima para casar