De acordo com uma investigação, "as operações de manipulação e interferência de informações estrangeiras (FIMI) da Rússia dependem de uma arquitetura grande, bem financiada e construída para esse fim, composta de partes visíveis e obscuras".
Na ponta do "iceberg" da FIMI estão os canais mais abertos e transparentes sobre as suas conexões com o Kremlin -- os canais oficiais do Estado, incluindo o governo russo, as suas instituições e representantes que refletem a voz oficial da Rússia e os seus valores.
"Ao longo dos anos, o Kremlin e autoridades como o ministro das Relações Exteriores ou o chefe da agência de espionagem da Rússia estiveram entre as vozes mais proeminentes da desinformação", acrescentando que em muitos casos estes foram os responsáveis por amplificar informações falsas.
Outra camada do "iceberg" são os veículos controlados pelo Estado, que são financiados, administrados e controlados editorialmente pelo Estado ou por órgãos nomeados pelo Estado, pois a maioria dos canais de televisão federais da Rússia, como a RT e a Sputnik, enquadram-se nesta categoria.
Muitos destes órgãos de comunicação foram sancionados pela União Europeia (UE) depois da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Uma camada ainda mais profunda deste sistema de desinformação e interferência estrangeira são os meios de comunicação vinculados ao Estado que operam sob a sua supervisão sem divulgar publicamente a sua afiliação.
Estes meios de comunicação operam numa zona cinzenta exercendo influência 'online' para pressionar objetivos políticos e estratégicos, "são projetados para moldar narrativas, manipular perceções, semear confusões e operar de maneira opaca", refere a organização.
Na camada inferior deste sistema estão os canais de FIMI alinhados ao Estado, estas são fontes que não podem ser atribuídas diretamente ao controle estatal ou ao seu financiamento.
Contudo, a organização revela uma combinação de indicadores técnicos e comportamentais que passam pela infraestrutura compartilhada ou pelos padrões de amplificação sistemática das mesmas narrativas de desinformação, que permitem mostrar padrões fortes e repetitivos de alinhamento com outras partes conhecidas e já atribuídas na arquitetura de FIMI da Rússia.
A EUvsDisinfo é composta por uma equipa de especialistas em desinformação, fazendo parte do serviço diplomático da UE.
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