De acordo com um processo judicial iniciado na segunda-feira, um salvadorenho que reside legalmente nos Estados Unidos foi repatriado no mês passado a bordo de um voo com centenas de pessoas acusadas de pertencerem ao submundo do crime.
O homem, de nome Abrego Garcia, foi acusado em 2019 de fazer parte de um grupo mafioso, mas a justiça norte-americana ilibou-o posteriormente e proibiu a sua deportação, alegando que corria o risco de represálias se regressasse ao país.
Nos documentos judiciais apresentados na segunda-feira, os advogados do governo norte-americano reconheceram que a deportação de Garcia foi um "erro administrativo".
Contudo, afirmaram não ter autoridade para garantir a sua libertação porque o deportado já não estava nos Estados Unidos.
O vice-Presidente JD Vance, defendeu hoje a administração no caso de Abrego Garcia, sustentando que este era de facto um membro da máfia salvadorenha MS-13.
"Os media decidiram que as verdadeiras vítimas são os 'gangsters' que estamos a tentar expulsar do país", escreveu Vance nas redes sociais.
Outros casos semelhantes foram levantados pela imprensa norte-americana, com os advogados a afirmarem que os seus clientes eram visados apenas por causa de tatuagens, um sinal característico das máfias da América Central.
Desde que Donald Trump assumiu o cargo, no final de janeiro, o governo norte-americano tem dado prioridade à busca e deportação de imigrantes indocumentados, acusando-os de serem membros de gangues criminosos.
Mas os movimentos que defendem os imigrantes ilegais, os democratas e até alguns apoiantes do Presidente republicano acreditam que a repressão também tem afetado pessoas sem qualquer ligação ao crime organizado.
Mais de 200 migrantes venezuelanos foram no início deste mês deportados para El Salvador, onde estão detidos numa prisão de segurança máxima.
A administração Trump também deportou migrantes de várias nacionalidades para outros países da América Central, mas El Salvador é o único país para onde os EUA estão a enviar pessoas para que possam ser presas.
Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, ofereceu-se para prender os migrantes que os EUA queriam deportar, independentemente da nacionalidade, durante um encontro em fevereiro com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Trump afirmou que o gangue venezuelano Tren de Aragua está a invadir os Estados Unidos e invocou a Lei dos Inimigos Estrangeiros de 1798, uma norma de guerra que permite ao Presidente uma maior margem de manobra nas políticas e ações executivas para acelerar as deportações em massa.
Enviou dezenas de pessoas para El Salvador antes de um juiz proibir novas deportações ao abrigo da lei e o Governo pede agora ao Supremo Tribunal autorização para retomar o processo.
Os defensores da imigração e dos direitos civis apresentaram ações judiciais para impedir a administração Trump de deportar pessoas para outros países que não o seu e utilizar a Lei dos Inimigos Estrangeiros.
Um juiz federal impediu temporariamente na sexta-feira a administração Trump de deportar pessoas para países terceiros sem antes poder argumentar que isso colocaria em risco a sua segurança.
O juiz decidiu que as pessoas com ordens finais de afastamento devem ter "uma oportunidade significativa" para argumentar que ser enviado para um país diferente do seu representa um nível de perigo considerado digno de proteção.
No domingo, a administração Trump pediu ao tribunal que revertesse a sua decisão.
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