"Não há vencedores nas guerras comerciais, e é evidente que todas estas tarifas vão aumentar os preços para os consumidores e, no final, pagaremos tudo", declarou a política estónio, hoje, à chegada à reunião informal dos ministros da defesa da UE, em Varsóvia.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quarta-feira a imposição de "tarifas recíprocas" sobre importações, incluindo de 25 por cento sobre todos os automóveis estrangeiros.
Kaja Kallas reconheceu que a cooperação em matéria de defesa com Washington "é também muito importante" e sublinhou que a UE compra atualmente muito equipamento de defesa aos Estados Unidos.
"Mas precisamos de diversificar o nosso portefólio para termos a capacidade de produzir a munição e as coisas que precisamos aqui, e também poder comprar a outros aliados", comentou.
Kallas recordou que a Comissão Europeia apresentou em março o Livro Branco sobre o Futuro da Defesa Europeia, um roteiro para desenvolver capacidades militares que permitirão à UE dissuadir diferentes tipos de ameaças.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse hoje que o bloco está "pronto para responder" às tarifas dos Estados Unidos e está a trabalhar em novas medidas de retaliação.
"Já estamos a finalizar o primeiro pacote de contramedidas em resposta às tarifas do aço e estamos agora a preparar outras medidas para proteger os nossos interesses e negócios, se as negociações falharem", disse a dirigente.
"Como europeus, promoveremos e defenderemos sempre os nossos interesses e valores, e defenderemos sempre a Europa", acrescentou Von der Leyen.
A presidente da Comissão Europeia reconheceu que o sistema de comércio mundial tem "graves deficiências", mas realçou que "existe um caminho alternativo" e que "não é tarde para resolver os problemas através de negociações".
Von der Leyen sublinhou que o comissário do Comércio da União Europeia (UE), Maros Sefcovic, está "em contacto constante" com os seus homólogos norte-americanos.
"Vamos esforçar-nos para reduzir as barreiras, não aumentá-las", acrescentou a dirigente.
Von der Leyen acrescentou que as tarifas serão "um rude golpe" para a economia global e que terão "consequências terríveis para milhões de pessoas em todo o mundo".
Os países da UE passam a pagar 20% de tarifas, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais que a Administração Trump estima que os produtos norte-americanos enfrentam no acesso aos mercados europeus.
"Pensamos que a União Europeia é muito amigável, mas eles roubam-nos. É muito triste ver isso. É tão patético; [taxam produtos dos EUA a] 39%, nós vamos cobrar-lhes 20%", afirmou Trump na quarta-feira.
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