A tecnologia Quina foi descoberta na Europa há décadas, mas nunca antes tinha sido encontrada no Leste Asiático. A equipa publicou as suas descobertas na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), noticiou na terça-feira a agência Europa Press.
"Isto representa uma grande transformação na nossa perspetiva sobre aquela parte do mundo durante esse período", frisou Ben Marwick, coautor da investigação e professor de arqueologia na Universidade de Washington.
"Isto levanta realmente a questão: O que mais estavam as pessoas a fazer durante este período que ainda não descobrimos? Como é que isto vai mudar a nossa perspetiva sobre as pessoas e a evolução humana nesta área?", questionou.
O Paleolítico Médio, ou Idade da Pedra Média, ocorreu entre 300.000 e 40.000 anos atrás e é considerado um período crucial na evolução humana. Este período está associado à origem e evolução dos humanos modernos em África.
Na Eurásia, está ligado ao desenvolvimento de vários grupos humanos arcaicos, como os Neandertais e os Denisovanos. No entanto, acredita-se que o desenvolvimento na China foi lento durante a maior parte do Paleolítico.
O sistema tecnológico completo de Quina identificado na China remonta a 55.000 anos, coincidindo com as descobertas europeias. Isto desafia a ideia de que o Paleolítico Médio ficou estagnado na região e aprofunda a compreensão do Homo sapiens, dos Denisovanos e possivelmente de outros hominídeos.
A parte mais marcante do sistema Quina é o raspador, uma ferramenta de pedra tipicamente grossa e assimétrica, com uma lâmina larga e afiada que apresenta sinais claros de uso e afiação.
Os investigadores encontraram vários destes, bem como subprodutos do seu fabrico. Pequenos riscos e cortes nas ferramentas indicam que foram utilizadas para raspar e arranhar ossos, chifres ou madeira.
Marwick levantou agora a questão de como é que este kit de ferramentas chegou ao Leste Asiático e os investigadores vão trabalhar para determinar se existe uma ligação direta (as pessoas a mudarem-se gradualmente do oeste para o leste) ou se a tecnologia foi inventada de forma independente, sem contacto direto entre os grupos.
Será útil para os investigadores encontrar um sítio arqueológico com um conjunto profundo de camadas, para ver que ferramentas foram desenvolvidas antes do aparecimento da tecnologia Quina, salientou Marwick.
"Podemos tentar determinar se já estavam a fazer algo semelhante antes, do qual Quina parece ter derivado", explicou Marwick.
"Assim poderíamos dizer que o desenvolvimento parece ser mais local: experimentaram diferentes formas nas gerações anteriores e acabaram por as aperfeiçoar. Por outro lado, se Quina aparece sem qualquer sinal de experimentação, isso sugere que foi passada de outro grupo", acrescentou.
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