Recordando o percurso de Luís Oliveira, que fundou a Antígona, editora "refractária", em 1979, "com especial interesse em livros e autores heterodoxos, interventivos e provocadores, numa linhagem que vai dos libertários e libertinos aos iluministas, aos anarquistas, surrealistas ou situacionistas, e às mais diversas formas de pensamento crítico e ousado".
Marcelo Rebelo de Sousa elogiou ainda o "grande cuidado editorial" que Luís Oliveira tinha com o seu catálogo -- nomeadamente ao nível das traduções, capa e grafismo -, que andava a par com as suas preocupações ideológicas e de conteúdo literário.
"Se nenhum projeto é o projeto de uma figura solitária, para mais uma editora que pressupunha uma 'comunidade invisível', a Antígona confunde-se com a militância e o desaforo de Luís Oliveira", considerou.
Luís Oliveira morreu na segunda-feira, aos 85 anos, anunciou a editora na terça-feira, indicando que toda a equipa continuará o seu legado de prosseguir com esta "aventura fascinante".
Nascido em 1940, Luís Oliveira, "ingénito provocador", fundou a Antígona em 1979 e construiu um "catálogo coerente, de língua de fora, centrado na crítica do mundo e um eterno elogio à inteligência dos leitores".
Ainda segundo a editora, Luís Oliveira era "dono de uma força imensa e de uma energia contagiante", que fazia do mundo um "espaço de encontros que visam o prazer e a construção de um lugar ameno, deleitoso e voluptuoso".
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