A 28.º jornada da I Liga colocará frente a frente os primeiros quatros classificados: o FC Porto, no terceiro lugar, recebe o vice-líder, o Benfica, enquanto o líder, o Sporting, será o anfitrião do Sp. Braga, que situa-se no quarto posto.
A caminhar a passos largos para o fim do campeonato, cresce a tensão em torno dos principais candidatos ao título, mas também das equipas de arbitragem, sempre sujeitas ao escrutínio das suas decisões, que podem, ou não, influenciar o curso da prova.
No domingo, João Pinheiro, da AF Braga, estará no clássico entre dragões e águias, ao passo que Luís Godinho, da AF Évora, irá ser o responsável por dirigir o encontro entre leões e guerreiros na segunda-feira, no encerramento da jornada.
Em conversa exclusiva com o Desporto ao Minuto, Pedro Henriques mostra-se satisfeito com a escolha do novo Conselho de Arbitragem, que entrou agora em funções, juntamente com Pedro Proença, novo presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
"O João Pinheiro e o Luís Godinho são os melhores árbitros da atualidade e serão acompanhados por dois especialistas no VAR, casos do Bruno Esteves e Tiago Martins, respetivamente. Considero que estas duas duplas têm quase a obrigação de dar resposta às incidências numa jornada muito importante e de grande visibilidade", destaca o antigo árbitro, que usa da experiência para revelar ao público em geral como se preparam estes jogos de maior mediatismo.
"Primeiro, deixem-me dizer que estes jogos não trazem maior pressão para os árbitros, porque ela existe sempre. Há sim, naturalmente, um nível de ansiedade maior, mas que é controlado. Os árbitros estão preocupados em sair dos jogos como isentos, fazendo o melhor trabalho possível, de forma a poder sair à rua de cabeça limpa, no dia seguinte. Sabemos que, antes destes jogos, o nosso nome é falado mais vezes, mas é o que é. Durante os jogos, temos de estar na máxima concentração, pois uma decisão incorreta poderá afetar a nossa carreira para sempre. O fator mental é muito importante. No entanto, há uma maior tranquilidade, pelo conforto que é o VAR", alerta.
A nomeação de João Pinheiro para o Clássico levanta algumas dúvidas, sobretudo, após a atuação noutro Clássico na presente temporada, entre FC Porto e Sporting (1-1), que terminou com a expulsão de dois jogadores leoninos na parte final do encontro, que teve lugar no Estádio do Dragão. Pedro Henriques refere que a nomeação corrente deste advém de um problema no setor da arbitragem nacional.
"Quem é que lá punhas? Vejamos: só tens 21 árbitros, quatro ou cinco não podem ainda apitar estes jogos, porque foram promovidos apenas esta época à categoria principal. Temos oito ou nove internacionais, mas com pouca experiência neste tipo de jogos. O Tiago Martins e o Fábio Veríssimo não têm correspondido na função de árbitro principal... o leque de escolha é reduzido. Temos um problema: existe falta de qualidade. Para combater isso, temos de trabalhar na base e na formação e, depois, criar uma maior qualidade de árbitros internacionais", refere Pedro Henriques, agora com 59 anos, que tem como marco na carreira a presença numa final da Taça de Portugal.
Questionado sobre as principais diferenças entre o seu tempo e o de agora, o militar de profissão responde: "Antigamente, as pessoas podiam conhecer o lado mais humano do árbitro, podem pensar que não, mas isso ajuda na compreensão dos nossos erros. Nós não somos diferentes dos jogadores ou treinadores, também erramos, e ninguém gosta de errar. Atualmente, isso não acontece e os árbitros, são muitas vezes, sacos de pancada. No entanto, com o novo Conselho de Arbitragem, é estimado que as decisões sejam explicadas atempadamente e não passada cinco ou seis jornadas, em que ninguém já se lembra do que aconteceu."
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