"O nosso desafio conjunto, e França tem tido um papel preponderante nestas matérias, é conseguir ir para além dos conflitos, ir para além das tentações protecionistas, mas também conseguir inverter o abrandamento estrutural europeu", disse hoje Pedro Reis na abertura do Fórum Económico Luso-Francês, que decorre no Palácio da Bolsa, no Porto, ao mesmo tempo da visita de Estado do presidente francês, Emmanuel Macron.
Para o ministro, tal implica "ação", vertida em "dissolução, desregulamentação" e "redesenho da arquitetura institucional europeia", com o respetivo "alívio para as empresas para que seja fácil investir" e crescer.
"As empresas hoje, a nível europeu, são confrontadas com camadas de burocracia, camadas de fiscalidade, com camadas de complexidade e de regulamentação", criticou.
Para o governante, a solução até é "simples" e está "na cabeça das empresas", defendendo que "a política, as instituições, voltem ao básico, ao que fez nascer e crescer o projeto europeu e o que é chave do futuro, que é libertar as energias das empresas".
Em concreto, Pedro Reis defendeu que a Europa tem de olhar para o Mercosul, referindo também que a França "é determinante na interconexão energética, nomeadamente em relação à Ibéria".
"Não há como colocar as nossas empresas e a nossa energia no centro da Europa se não passarmos por França, portanto contamos muito com França nessa matéria", apontou.
Também o presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, Armindo Monteiro, salientou que face a uma ideia de que "no mundo de hoje a política de alianças parece já não desempenhar um papel importante", há valores que permanecem "além das relações económicas".
Frisando que a Europa existe há mais tempo que os Estados Unidos, Armindo Monteiro considerou que os europeus têm forma de ser competitivos "sem atropelar valores que consideram ser absolutamente essenciais".
Quanto aos representantes franceses no fórum, o ministro francês do Comércio Externo, Laurent Saint Martin, salientou os 15 mil milhões de euros de comércio bilateral existentes entre Portugal e França, concordando com a ideia do ministro português de "libertar as energias" das empresas.
Como exemplo deu a exportação de empresas francesas para Portugal nos setores automóvel, aeronáutica, farmácia, química, alimentar, sendo necessário "proteger e reforçar" estes laços, ao mesmo tempo levá-los "à escala europeia" de forma a valorizar este 'savoir faire' [competências].
Para o governante, é necessário "exigir a simplificação" e também a "diversificação", de forma a executar melhor "a capacidade de fazer melhor a unidade europeia, continuando fiéis aos valores e ao direito internacional".
Já o vice-presidente do Movimento das Empresas de França (MEDEF), Fabrice Le Saché, vincou que há cerca de 1.200 filiais de empresas francesas em Portugal, com 100 mil funcionários diretamente abrangidos.
Além de referir a "bela cooperação" entre Portugal e a Vinci, concessionária dos aeroportos nacionais, bem como a empresas como a Leroy Merlin, no futuro apontou a setores como a energia, e "inovações na inteligência artificial, defesa, economia azul", ou também a "mobilidade e as infraestruturas".
O responsável defendeu que o patronato francês procura "regras mais favoráveis para que as empresas se possam desenvolver" e, em setores como o automóvel, "fazer face à capacidade de produção chinesa", que goza de condições concorrenciais diferentes das europeias.
Esta manhã foram ainda assinados acordos entre a CIP, a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, o Conselho Francês dos Investidores em África, a Fundação Prospective Innovation e o Grémio Literário.
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