Na semana passada, numa audição no parlamento, a presidente da Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC), Carla Pinto, assinalou que o encerramento dos estabelecimentos comerciais aos domingos e feriados resultaria na perda de 18 mil postos de trabalho diretos.
Hoje, o CESP apontou que estas declarações são uma "promoção de uma cultura de medo sobre as justas reivindicações dos trabalhadores do setor e de muitas camadas da população" e que "servem apenas a desinformação".
"A APCC representa os interesses das maiores empresas do país, justamente aquelas que continuam a praticar os salários mais baixos e os horários mais desregulados do setor com o recurso ao banco de horas na contratação coletiva e as adaptabilidades", assinala o CESP, em comunicado hoje divulgado.
O CESP defende, em sete pontos, a redução do horário das lojas, argumentando que o encerramento aos domingos e feriados "apenas alterava o horário semanal do trabalhador para que uma folga fixa fosse ao domingo".
De igual forma, acredita que o aumento do número de lojas "não corresponde proporcionalmente ao aumento de trabalhadores", uma vez que "existe falta de trabalhadores" e que não há "este efeito dramático no desemprego" na maioria dos países europeus em que o comércio encerra ao domingo.
Na audição, a responsável registou que 38% das compras são feitas no horário pós-laboral e que 16% das vendas dos lojistas são feitas aos domingos.
O CESP também rejeitou estes argumentos, dizendo que "comprovam que não é significativo, e até levam a questionar o que se considera pós-laboral nesta afirmação".
O CESP recupera ainda os tempos da pandemia em que "foram estes trabalhadores" que garantiram o abastecimento e que era possível "responder às necessidades com horários reduzidos" e que foram "anos de lucros para as maiores empresas do setor que continuam sem tradução nos salários dos trabalhadores que produzem essa riqueza".
O sindicato assegura que vai continuar a defender a iniciativa legislativa de cidadãos "Pelo Encerramento do Comércio aos Domingos e Feriados e Pela Redução do Período de Funcionamento até as 22h", por considerar que é "possível, é justo, é necessário para um País desenvolvido que não deixa a qualidade de vida de quem trabalha nas mãos do mercado -- como PS e PSD já admitiram fazer.
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