Imamoglu, 53 anos, foi detido hoje de manhã numa vasta operação policial por alegadas ligações terroristas e corrupção, segundo um comunicado do Ministério Público citado pela agência espanhola EFE.
O autarca foi detido juntamente com mais de uma centena de militantes e funcionários do social-democrata Partido Republicano do Povo (CHP, na sigla em turco), a que pertence.
O CHP qualificou a investigação judicial como "uma tentativa de golpe de Estado" instigada pelo governo para impedir a candidatura de Imamoglu às eleições, previstas para 2028, mas que poderão ser antecipadas.
Criado por Mustafa Kemal Ataturk, o primeiro presidente e fundador da moderna República da Turquia, o CHP é o partido mais antigo do país e a principal força da oposição.
O DEM, partido de esquerda e pró-curdo, terceiro maior partido no parlamento, também comparou as detenções a "um golpe de Estado civil" realizado pelo poder judicial em conluio com o governo de Erdogan.
O partido nacionalista IYI, o quinto maior partido no parlamento, falou em termos semelhantes, anunciando que irá apresentar uma queixa contra Erdogan por "um crime contra a Constituição".
"A detenção de Imamoglu não pode ser explicada pela lei. A lei, a democracia e as eleições foram suspensas na Turquia hoje", disse o líder da IYI, Musavat Dervisoglu, ao parlamento.
Dervisoglu denunciou que o processo judicial visa afastar Imamoglu das eleições presidenciais "para manter Recep Tayyip Erdogan no poder".
"A oposição deve assumir a responsabilidade para além de algumas declarações. Se os atos inconstitucionais, como a eliminação de potenciais candidatos, continuarem, teremos de boicotar as eleições", acrescentou.
O líder do partido conservador DEVA, Ali Babacan, também denunciou no parlamento que a detenção de Imamoglu se destinava a manter o atual Presidente, de 71 anos, no poder para o resto da vida.
"Significa: 'Eu [Erdogan[] decidi que vou ficar aqui enquanto estiver vivo e saudável, e mais ninguém pode chegar ao poder'", disse Babacan, falando como líder da coligação Yeni Yol.
"Por muito que Erdogan e os seus apoiantes tentem matar a democracia, o povo mantê-la-á viva. Isto não é diferente de outras tentativas de golpe, mesmo sem intervenção militar", acrescentou.
A coligação Yeni Yol inclui o partido Gelecek, formado por Ahmet Davutoglu, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros (2009-2014) e primeiro-ministro (2014-2016) de Erdogan.
Babacan também integrou o governo de Erdogan como ministro das Finanças (2002-2007) e dos Negócios Estrangeiros (2007-2009).
Um grande destacamento policial cercou ao início da manhã a casa de Imamoglu para deter o autarca.
"Centenas de polícias chegaram à minha porta. A polícia invadiu a minha casa e derrubou a minha porta", anunciou Imamoglu nas redes sociais.
"Estamos a enfrentar uma enorme tirania, mas quero que saibam que não serei desencorajado", disse Imamoglu, que acusou o Governo de "usurpar a vontade" do povo.
Além de corrupção, o Ministério Público disse que Imamoglu é suspeito de "apoio ao PKK", o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, considerado como um grupo terrorista pela Turquia.
As autoridades encerraram várias estradas em torno de Istambul e proibiram manifestações na cidade por quatro dias num aparente esforço para evitar protestos após a detenção do autarca.
Imamoglu foi eleito pela primeira vez em 2019, pondo fim a um quarto de século de domínio dos islamitas na maior cidade da Turquia.
A detenção aconteceu dias antes de o CHP realizar as primárias, no domingo, nas quais Imamoglu deveria ser escolhido como candidato presidencial.
Leia Também: Autarca de Istambul detido por corrupção e ligação ao terrorismo