Entre os detidos encontra-se o ator de televisão Cem Yigit Üzümoglu, noticiaram os meios de comunicação social locais, afirmando que todos eles terão, alegadamente, apoiado ou promovido publicamente na quarta-feira a campanha "compras zero".
Um grande grupo de atores deslocou-se ao tribunal para apoiar Üzümoglu, que também ocupa um cargo no Sindicato dos Atores Turcos.
Ao fim da tarde, Üzümoglu e os outros dez detidos foram libertados sob acusação e sob controlo judicial: devem apresentar-se duas vezes por mês e não podem sair do país, noticiou o diário Cumhuriyet.
As detenções surgem na sequência de uma operação ordenada pela Procuradoria-Geral de Istambul, que emitiu mandados de captura para um total de 16 pessoas, acusadas de "ódio e discriminação" e de "incitar ao ódio e à inimizade pública" por terem difundido o protesto nas redes sociais.
As autoridades continuam a procurar as restantes cinco pessoas, enquanto os meios de comunicação social da oposição alertam para a possibilidade de serem emitidos novos mandados de detenção.
O órgão público de radiodifusão TRT, que tinha avisado os atores das suas produções das possíveis consequências do seu apoio aos protestos, retirou na véspera a atriz Aybüke Pusat do elenco de uma série popular depois de esta ter manifestado o seu apoio ao boicote.
Hoje, a emissora pública rescindiu os contratos de três outros atores conhecidos internacionalmente pelos seus papéis em telenovelas: trata-se de Boran Kuzum, Furkan Andiç e Basak Gümülcinelioglu, por terem manifestado apoio a Aybüke Pusat nas redes sociais, informa a Halk TV.
Os protestos foram desencadeados a 19 de março pela detenção do presidente da Câmara de Istambul, o social-democrata Ekrem Imamoglu, considerado o principal rival político de Erdogan e acusado de corrupção.
Imamoglu, já nomeado candidato dos sociais-democratas turcos às presidenciais de 2028, nega qualquer envolvimento em atos de corrupção.
Desde então, centenas de milhares de cidadãos têm participado em manifestações nas principais cidades do país e foram lançadas campanhas contra os meios de comunicação social e os produtos de empresas governamentais.
O boicote às compras, decretado para quarta-feira, que a oposição considera um êxito, faz parte de uma série de ações de protesto contra o governo.
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