Em algumas regiões do globo, não há ninguém a quem cobrar impostos: apenas focas, pinguins, ursos... e por vezes cientistas em missões temporárias. Mas nem por isso ficaram de fora do aumento de taxas alfandegárias anunciado por Donald Trump no "Dia da Libertação".
É o caso das Ilhas Heard e McDonald, um território desabitado localizado no Oceano Antártico, entre Madagáscar e a Antártida. O presidente norte-americano pretende implementar taxas de 10% sobre os produtos locais.
As ilhas, que formam um território externo da Austrália, estão entre os lugares mais remotos da Terra, acessíveis apenas por uma viagem de barco de duas semanas a partir de Perth, na costa oeste da Austrália. De acordo com o The Guardian, estão completamente desabitadas e acredita-se que a última visita de pessoas tenha ocorrido há quase 10 anos.
A inclusão destas ilhas na lista de países aos quais seriam impostas novas tarifas comerciais levou o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, a reagir esta quinta-feira: "Nenhum lugar na Terra está a salvo".
Outro exemplo caricato é a pequena ilha de Northfolk, entre a Austrália e a Nova Zelândia, no Oceano Pacífico, que viu seus impostos alfandegários aumentarem em 29%. Ao contrário da ilha, as taxas alfandegárias da Austrália aumentaram apenas 10%, deixando ainda mais perplexo o primeiro-ministro.
"Da última vez que verifiquei, a Ilha Norfolk fazia parte da Austrália", ironizou.
Mas há outros territórios desabitados na mira, mais a norte. É o caso das ilhas norueguesas de Jan Mayen e Svalbard, no Mar da Gronelândia, onde vivem sobretudo ursos polares, e a cujos produtos também vai ser implementada uma tarifa de 10%.
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