"Desde que não se avance sem ser testado, estou integralmente de acordo. O futuro é esse e temos que apontar para aí", sublinhou a presidente da Casa de Portugal em Macau (CPM), Maria Amélia António.
Nas eleições legislativas, os portugueses no estrangeiro têm a possibilidade de exercer o direito de voto de forma presencial ou via postal, enquanto nas presidenciais e europeias, a votação é presencial.
Na opção por correspondência, o Governo envia para a morada indicada no caderno de recenseamento o boletim de voto e dois envelopes, um de cor verde e outro branco, que devem ser devolvidos ao Ministério da Administração Interna após preenchimento.
De acordo com dados do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, nas últimas eleições para a Assembleia da República, no ano passado, 213 eleitores estavam inscritos para votar presencialmente nesta representação diplomática e 48.645 encontravam-se qualificados para exercer o direito de voto por via postal.
Na última estimativa dada à Lusa, este consulado apontava para a existência de cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.
A opção eletrónica "pode oferecer maior segurança", defendeu Maria Amélia António. E concretizou: "Com os consulados a funcionarem mal, no sentido de terem poucos funcionários, com o trabalho que têm, e em países onde estão muito longe dos sítios onde as pessoas moram, é muito difícil as pessoas irem votar pessoalmente. Também se tem provado que há muitas falhas nas garantias de receberem voto [via correio]", acrescentou.
Também o presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), lembrando que "o problema dos correios é muito complicado", admitiu que, se o voto eletrónico garantir maior participação no ato eleitoral, então é uma aposta ganha.
"Ainda por cima, [tratando-se] de Portugal, país de emigrantes, que querem seguir os assuntos do país", considerou.
A escolha eletrónica é uma reivindicação de longa data do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas no estrangeiro.
Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, que tem um encontro agendado com o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel - que vai estar no território esta sexta-feira -, disse à Lusa que o "tema já faz parte da agenda" do CCP "há alguns anos e já foi abordado várias vezes e com vários governos".
"Com o avanço da tecnologia e a possibilidade de implementação de sistemas de segurança que possam garantir a segurança do voto - o que acontece hoje através da prestação de serviços noutras áreas também do Governo - estão criadas as condições para que possamos eventualmente evoluir para uma situação onde ele possa ser obviamente um complemento mas não um substituto", notou.
Em fevereiro, o Parlamento aprovou uma resolução proposta pelo PSD para testar o voto eletrónico na emigração.
O Presidente da República sugeriu, em dezembro, uma experiência piloto de voto eletrónico nos círculos da emigração.
A aplicabilidade do voto eletrónico foi também tema do primeiro painel da reunião anual do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas na Europa, que decorreu na semana passada no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa.
Também aí os conselheiros europeus manifestaram vontade de contar com mais esta possibilidade de voto, tendo em conta as distâncias que, por vezes, têm de ser percorridas para votar nas assembleias de voto e os constrangimentos que o voto postal tem revelado.
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