O bombeiro que perdeu a noiva e o cunhado num incêndio em que morreram três operacionais da cooperação de Vila Nova de Oliveirinha, na Tábua, no passado mês de setembro, acusou o Governo de falta de apoio.
Numa entrevista emotiva, dada ao programa 'Júlia', da SIC, Francisco Cunha, que sobreviveu ao fogo, lamentou só ter tido apoio psicológico na altura da tragédia.
Apenas seis meses depois do acidente, nem os envolvidos nem os familiares das vítimas mortais têm ajuda.
"Isto é tudo muito bonito ao início. Apoio psicológico houve... ao início. Mas hoje, se eu quiser ter, tenho de ir à procura. Tudo o que seja Governo Central desapareceu. Nunca mais me ligaram: 'Francisco estás bem? Precisas de alguma coisa?'. Não é só o que perdi, pela Sónia. É também pelo que passei. Também vi a minha morte. Também tive de fugir. Vivi o momento e acho que as pessoas esquecem-se disso", realçou.
Para Francisco, "o Governo tem de pensar, tem de criar equipas para o pós. Não é só para o início. No início há muita ajuda […]. Mas com o passar do tempo, não há".
"Seja eu, seja a mãe da Sónia, seja a irmã da Sónia, seja os cinco militares da GNR também que morreram. Eles também tinham família. Somos pessoas... somos humanos, precisamos de ajuda", atirou, acrescentando que "se não for as pessoas que temos ao nosso lado, ninguém quer saber de nós".
Visivelmente consternado, o bombeiro admite que não consegue esquecer "o mar de chamas", e "até o cheiro". "Os eucaliptos, o fumo. Tudo o que eu vivi vem-me muito à memória. Isto assombra-me a todos os minutos. Nunca me vou esquecer", rematou.
Francisco perdeu três companheiros de corporação – entre os quais a noiva e o cunhado - no fatídico dia 17 de setembro do ano passado durante o combate às chamas de um incêndio em Nelas. O bombeiro conseguiu escapar com vida, assim como outros colegas.
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