"Eu creio que não houve aqui nenhuma violação dos deveres de neutralidade e de isenção, não houve aqui nenhuma ação a colocar em causa esses princípios, é a minha convicção", disse hoje aos jornalistas, num 'briefing' do Conselho de Ministros realizado em pleno Mercado do Bolhão.
O 'briefing' estava inicialmente previsto ser realizado numa sala, mas passou para o piso das bancas do Mercado do Bolhão, onde Luís Montenegro falou aos jornalistas, com o Governo atrás de si, depois do executivo ter posado para uma fotografia de família um ano após ter iniciado funções.
"As pessoas não vão decidir o seu sentido de voto pelo Governo ter vindo aqui hoje ou não. As pessoas vão decidir o seu sentido de voto por aquilo que acham que é melhor para o país daqui para a frente, e nós sujeitamo-nos a essa avaliação com humildade", considerou.
Luís Montenegro considerou que "a avaliação que se faz disso compete a cada pessoa", e referiu que não veio ao Bolhão "fazer campanha" ou "distribuir materiais de campanha".
"Viemos hoje até ao Porto, como já fomos a outros distritos do país, descentralizando as reuniões do Conselho de Ministros, e descentralizando também alguns eventos importantes na ação do Governo", justificou.
Perante uma pergunta relativa a uma mensagem que circulou entre os militantes do PSD que convidava os apoiantes "a ir cumprimentar" o presidente do PSD, Luís Montenegro disse desconhecer tal mensagem, mas admitiu "que possa haver trabalho político das estruturas partidárias, é normal", e que "com certeza terá justificação".
Após o 'briefing', o Governo seguiu em conjunto, a pé, para um almoço no Café Majestic, na Rua de Santa Catarina.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, distribuiu hoje beijos e abraços no Mercado do Bolhão, no Porto, à chegada para um Conselho de Ministros, mas disse que não estava "propriamente" em campanha eleitoral.
À chegada ao Mercado do Bolhão, onde foi recebido pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e ladeado pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, que hoje anunciou a sua candidatura à autarquia portuense, questionado sobre se estava em campanha eleitoral, Luís Montenegro respondeu "não propriamente", dizendo apenas que estava a cumprimentar as pessoas.
Sobre se estava também em campanha para as Autárquicas, uma vez que estava ladeado pelo ministro Pedro Duarte, Luís Montenegro rejeitou que esse fosse um assunto seu.
"Isso já não é comigo", disse, numa altura em que percorria o piso inferior do Mercado do Bolhão, onde foi abordado por comerciantes que o incentivaram, com palavras de "muita sorte", "vamos ganhar", "sou do PSD", "vamos mostrar quem somos" ou "felicidades".
Uma idosa interpelou o primeiro-ministro frisando a necessidade de aumentar as pensões, tendo Luís Montenegro respondido que o Governo já estava "a aumentar as pensões".
O Conselho de Ministros reuniu-se hoje, no Porto, no dia em que o XXIV Governo Constitucional completa um ano em funções, demissionário, e com novas eleições legislativas antecipadas marcadas para 18 de maio.
Relação com Marcelo foi "absolutamente extraordinária"
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, garantiu hoje que a sua relação com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi "absolutamente extraordinária" em termos institucionais e pessoais.
"Essas notícias [mal-estar entre Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa], sinceramente, são manifestamente exageradas face àquela que foi a relação absolutamente extraordinária entre primeiro-ministro e Presidente da República do ponto de vista institucional e pessoal", afirmou Luís Montenegro no briefing do Conselho de Ministros, que se realizou em pleno Mercado do Bolhão, no Porto, depois de questionado pelos jornalistas sobre a relação entre ambos.
O social-democrata referiu que a relação com Marcelo Rebelo de Sousa se vai "naturalmente manter" após o fim do mandato.
[Notícia atualizada às 14h36]
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