"Já os exprimi e, obviamente, que tenho preocupação porque, ao estarmos aqui no meio de um período eleitoral, vai haver seguramente atrasos. Espero que não [mais] e espero que o Governo esteja a trabalhar" para o evitar, disse Carlos Moedas, falando à imprensa portuguesa em Bruxelas.
No dia em que se reuniu na capital belga com altos responsáveis da Comissão Europeia, o autarca lisboeta insistiu que "há um risco de poder haver atrasos" na implementação do plano.
"E eu já estou com muitos atrasos. Reparem que em Lisboa nós já executámos 60% daquilo que é fisicamente a construção de casas, mas ainda só recebemos 30% do dinheiro e isso faz com que a autarquia, no fundo, tenha que pôr dinheiro seu que poderia estar a utilizar noutras áreas, fosse nas pessoas em situação de sem-abrigo, fosse no dia-a-dia", elencou Carlos Moedas, falando num montante "muito superior a 100 milhões" de euros.
"Obviamente que tudo isto cria esta preocupação. [...] Eu sei que os ministros estão a trabalhar, toda a gente está a trabalhar, mas com as eleições [legislativas de 18 de maio], obviamente, vai haver momentos em que esse trabalho não é o mesmo trabalho do que se não houvesse eleições", adiantou,
Carlos Moedas defendeu ainda que "a relação da União Europeia tem de ser muito mais forte com as cidades do que com os países".
"Os países têm instabilidades, vivemos cada vez mais numa política instável a nível nacional, e os presidentes das câmaras são a estabilidade", concluiu o antigo comissário europeu.
Ao todo, o PRR português tem um valor de 22,2 mil milhões de euros, com 16,3 mil milhões de euros em subvenções e 5,9 mil milhões de euros em empréstimos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, que dizem respeito a 376 investimentos e a 87 reformas.
Para Lisboa, estão previstos cerca de 560 milhões de euros para habitação acessível.
Atualmente, o país já recebeu 8,49 mil milhões de euros em subvenções e 2,9 mil milhões de euros em empréstimos e a taxa de execução do plano é de 32%.
A Comissão Europeia já garantiu à Lusa que a crise política em Portugal "não tem quaisquer implicações diretas" na execução do PRR por os compromissos serem assumidos pelo país e não pelo atual Governo.
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