Os festejos do bicampeonato do Sporting do passado sábado continuam a dar que falar pelas piores razões. A polícia acabou por intervir no momento em que o autocarro se deslocava rumo ao Marquês, local onde milhares de adeptos esperavam pelos jogadores, e alguns adeptos ficaram feridos, alguns deles com mazelas mais graves.
O Desporto ao Minuto falou com uma das vítimas dos acontecimentos na noite após o jogo frente ao Vitória SC, que ditou a conquista da I Liga por parte do clube de Alvalade.
Marcelo Monteiro, estudante de 25 anos, estava na Praça do Saldanha, perto do Marquês de Pombal, com o intuito de festejar o título e ver o autocarro passar naquela zona antes de rumar ao centro da festa. No entanto, esses festejos custaram-lhe um dente e um tiro de bala de borracha no peito.
"Estava com os restantes adeptos junto ao Atrium do Saldanha à espera da equipa porque, antes de seguirem para o Marquês, o autocarro ia sempre lá passar, era esse o trajeto. O autocarro estava a aproximar-se, ainda não o conseguíamos alcançar com a vista, mas sabíamos que se estava a aproximar porque o corpo de intervenção da polícia começou a fazer um perímetro de segurança para impedir que os adeptos se chegassem ao autocarro", começou por relatar o jovem que reside em Oeiras.
"Fomos subindo a estrada, à medida que o autocarro avançava, quando simplesmente, de um momento para o outro, um polícia salta para cima de mim, dá-me um pontapé e eu caio ao chão. E, atenção, que eu estava numa zona em que não vi ninguém com artefactos pirotécnicos, pelo menos as pessoas que me rodeavam. Sei que houve muita pirotecnia, como tochas e foguetes, mas naquele momento, quem me rodeava não tinha nenhum artefacto pirotécnico", continuou.
"Foi nessa altura que eles começaram a ser mais agressivos, tanto que, como referi, deram-me um pontapé e eu caí ao chão, levei com um cassetete na boca, ainda me consegui levantar, depois de levar mais uns pontapés, porque já estavam dois ou três [polícias] a bater-me. Consegui levantar-me e no momento em que me levanto, ainda levei com uma bala de borracha no peito. Após isso, dispersei com o resto da multidão, que aquilo ficou caótico", acrescentou o adepto leonino.
Marcelo já apresentou queixa junto das autoridades competentes e também já entregou o caso aos advogados de forma a apurar responsabilidades pelo sucedido.
"Fiz queixa do que se passou. O meu tio é advogado e já está a tratar do processo. Infelizmente, não vou conseguir identificar ninguém, porque a polícia de intervenção anda sempre protegida com capacetes e golas. O Estado tem de se responsabilizar por isto", referiu.
"Isto baixa muito a minha autoestima. Acabei por ficar com a cara um pouco modificada. A falta de dentes é notória… Felizmente isto não implica continuar a estudar para os exames da faculdade e futuros trabalhos, mas condiciona a minha imagem, porque eu sou uma pessoa muito ligada à moda e acaba por ser um pouco frustrante para mim", afirmou o sportinguista.
Apesar de ter estado na mesma área que Bernardo Topa, que perdeu um olho nos festejos do título devido a um tiro de bala de borracha disparado por um agente policial, Marcelo garante que não viu o acontecimento. "Não vi nada do que aconteceu ao Bernardo, que estava no Saldanha também e reside da mesma zona que eu [Oeiras]. Eu mandei-lhe uma mensagem a expressar o meu apoio e solidariedade."
Sobre a razão para o sucedido, Marcelo não tem dúvidas e pede que se apurem responsabilidades: "Isto foi abuso de poder, claramente. Foi falta de ética profissional. Não é normal que, num ambiente de festa, haja este tipo de postura por parte da polícia. Se tivesse havido confrontos com a polícia era compreensível, mas num ambiente de festa, onde os adeptos estavam apenas a cantar e a demonstrar o seu contentamento à equipa, a polícia desatar à pancada, incluído contra pessoas mais velhas que estavam acompanhadas pelos filhos… Não é normal… E o Estado tem de apurar responsabilidades e adoptar medidas", concluiu.
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