"Se pensarmos bem, neste momento muitos dos nossos pagamentos digitais, como as compras 'online', ou quando usamos o cartão ou o telemóvel, dependem sempre de infraestruturas não europeias", disse Lagarde numa entrevista ao programa de rádio irlandês 'The Pat Kenny Show'.
A presidente do BCE citou exemplos como o Visa, Mastercard, Paypal ou Alipay e acrescentou: "De onde é que eles vêm? Ou dos EUA ou da China. Toda a infraestrutura mecânica que permite efetuar pagamentos, de crédito e de débito, não é uma solução europeia", sublinhou.
Questionada pela jornalista irlandesa Pat Kenny sobre se isto significa que, sempre que é efetuado um pagamento com cartão ou por telemóvel na União Europeia (UE), a informação "deixa" a UE e vai para os EUA ou para a China, Lagarde respondeu: "Completamente".
Ressalvando, logo de seguida, que as referidas empresas financeiras trabalham em conformidade com a regulamentação da UE, Lagarde defendeu uma redução desta "vulnerabilidade" e a garantia da existência de uma alternativa própria em território europeu, porque "nunca se sabe".
Ao longo da entrevista, Lagarde alertou ainda para o facto de as consequências das tarifas norte-americanas serem "totalmente negativas para a economia", embora tenha evitado dar a sua opinião sobre a forma como a UE deve responder a estas taxas, por ser algo que "deve ser decidido pelos líderes políticos".
"O nosso trabalho no banco central é antecipar, explicar-lhes quais serão as consequências em termos de impacto económico, porque será sempre negativo em todo o mundo", acrescentou.
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