Tarifas. Empresas do Douro já tiveram encomendas canceladas

O presidente da Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) disse hoje que foram suspensas ou canceladas encomendas de vinho para o mercado norte-americano, antes do anúncio de novas tarifas de 20% à União Europeia.

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© Colinas do Douro

Lusa
03/04/2025 14:55 ‧ ontem por Lusa

Economia

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"Há várias encomendas que foram suspensas ou anuladas à espera da clarificação da situação relativamente às tarifas", afirmou António Filipe, referindo-se a empresas associadas da AEVP.

Especificou que esta situação aconteceu depois da ameaça feita pelo Presidente Donald Trump, em meados de março, de aplicar taxas de 200% a bebidas como o vinho proveniente da União Europeia.

"De modo que os embarques não fossem apanhados em trânsito, e inesperadamente tivessem que pagar à entrada [nos Estados Unidos da Amarica] taxas que não estavam ainda decididas. Portanto, temos várias encomendas canceladas e várias encomendas suspensas à espera de uma clarificação" referiu António Filipe.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas sobre importações, incluindo de 25% sobre todos os automóveis estrangeiros. De acordo com a tabela anunciada, os países da União UE passam a pagar 20% de tarifas.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já afirmou que as novas taxas alfandegárias anunciadas pelo Presidente dos Estados Unidos constituem um "duro golpe" para a economia mundial.

António Filipe disse que as novas tarifas "impactam muito" no negócio dos vinhos e referiu que ainda se está a tentar perceber e a calcular o impacto no consumidor final, estimando, no entanto, que seja "maior do que os 20%".

Estas novas tarifas podem ter, na sua opinião, uma consequência de curto prazo que é a retração no consumo porque o produto está mais caro, mas acrescentou que também pode originar um "efeito estrutural" de "abandono de consumidores".

"O mercado americano é o maior mercado mundial de vinho e com maior poder aquisitivo. Não é possível encontrar um outro mercado que substitua este", referiu.

O mercado norte-americano está no "top cinco", ou seja nos cinco principais mercados de exportação dos vinhos produzidos na Região Demarcada do Douro, em termos de quantidade e de valor.

Em 2024, foram exportados cerca de 36 milhões de euros de vinho do Porto para os EUA, o que se traduz num aumento de 6,5% comparativamente com o ano anterior.

A nível dos vinhos Denominação de Origem Controlada (DOC) Douro o mercado norte-americano representou um volume de negócios que ronda os 5,6 milhões de euros.

O responsável disse que, naturalmente, "o esforço será feito no sentido de ir procurando noutros mercados alguma compensação".

"Mas, não é possível pensar que nós, daqui a um ano, estaremos a operar noutros mercados e que seremos capazes de integralmente substituir aquilo que perdemos nos EUA. Não é por aí. Eu acho que, sobretudo, é preciso bom senso de parte a parte, no sentido de se evitar este tipo de escaladas", frisou.

António Filipe referiu que, "na base daquela tarifa absurda dos 200%, estava uma retaliação relativamente à Europa, por esta se propor aplicar uma taxa de 50%, sobre o bourbon americano".

"Também é muito importante que a própria Europa não participe neste processo de escalada e que, de alguma maneira, procuremos o caminho inverso. Eu acho que o processo deve ser mais de desescalada do que aceitar isto como um facto e procurar outros mercados onde eles não existem", frisou.

Também o Comité Europeu das Empresas Vitivinícolas (CEEV) classificou como um "duro golpe" a tarifa de 20% sobre exportações da União Europeia para os Estados Unidos anunciada pelo Presidente Donald Trump, prevendo despedimentos e adiamento de investimentos.

A associação patronal do setor vitivinícola precisou que este "duro golpe" resulta de as exportações europeias para os EUA representarem 28% do valor total das exportações de vinho da UE em 2024, ano em que os EUA continuaram a ser o maior mercado para os vinhos europeus, com um valor de 4,88 mil milhões de euros.

Leia Também: UE vai "responder como um todo" às novas tarifas dos EUA

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