Os especialistas do Instituto de Ciências Económicas (Wifo) alertaram hoje que existem "grandes incertezas" sobre o efeito destes impostos, sendo que, no contexto global, as consequências seriam ainda mais graves para os EUA, que poderiam enfrentar uma inflação elevada e uma queda de 24% nas suas exportações.
A Áustria esteve imersa numa recessão económica nos últimos dois anos, com uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 1% em 2023 e de 1,1% em 2024, e para 2025 o Wifo previa uma queda de 0,3%, que poderá agora ser agravada para 0,65%.
Wifo, um dos mais importantes centros de análise económica da Áustria, critica que Trump se tenha concentrado nos défices comerciais de bens, ignorando os grandes excedentes em serviços, especialmente digitais, que os Estados Unidos têm.
Outros especialistas, como os do Instituto de Estudos Económicos Internacionais (wiiw) ou do Instituto de Estudos Avançados (IHS), falaram hoje de um efeito negativo para a Áustria entre 0,1 e 0,2% do PIB.
Os Estados Unidos são o segundo mercado das exportações austríacas, atrás apenas da Alemanha, com um volume de vendas de 16,23 mil milhões de euros em 2024, segundo dados oficiais.
Depois de uma reunião em Viena com representantes do setor exportador, o ministro da Economia, Wolfgang Hattmannsdorfer, e o presidente da Federação da Indústria, Georg Knill, exigiram uma resposta firme e coordenada da União Europeia.
Entre as possíveis medidas de retaliação, foram mencionadas restrições a produtos provenientes de estados republicanos, para prejudicar a base eleitoral de Trump, e grandes empresas tecnológicas norte-americanas.
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