"O lado russo demonstrou claramente as suas capacidades", disse o porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.
Peskov disse que as ações de apoio à Ucrânia do Ocidente, que classificou como insensatas, "não podem passar em branco pela Rússia".
Afirmou estar certo de que os Estados Unidos, principal apoiante militar de Kiev, compreenderam a mensagem do Presidente Vladimir Putin, que na quinta-feira anunciou o disparo de um novo tipo de míssil contra a Ucrânia e ameaçou o Ocidente.
"O discurso de ontem foi muito, muito abrangente, claro e lógico", disse Peskov aos jornalistas durante a sua conferência de imprensa telefónica diária.
"Por isso, não temos dúvidas de que a atual administração de Washington teve a oportunidade de se familiarizar com esta declaração e de a compreender", acrescentou, segundo a agência francesa AFP.
Num discurso transmitido pela televisão ao país, Putin avisou que os sistemas de defesa aérea dos Estados Unidos serão impotentes para deter o novo míssil.
Disse que o novo míssil, a que chamou "Oreshnik", voa a uma velocidade 10 vezes superior à do som e poderá ser utilizado para atacar qualquer aliado ucraniano cujos mísseis sejam usados contra território da Rússia.
"Acreditamos que temos o direito de usar as nossas armas contra as instalações militares dos países que permitem usar as suas armas contra as nossas instalações", disse Putin, citado pela agência norte-americana AP.
Foi a primeira declaração de Putin desde as notícias sobre a autorização dada pelo homólogo dos Estados Unidos, Joe Biden, para que a Ucrânia utilize os mísseis norte-americanos ATACMS contra alvos limitados na Rússia.
"A partir deste momento, como sublinhámos repetidamente, o conflito na Ucrânia, anteriormente provocado pelo Ocidente, adquiriu elementos de caráter global", acrescentou Putin.
Na sequência do disparo do novo míssil, que Kiev disse inicialmente tratar-se de um míssil intercontinental, a NATO e a Ucrânia vão reunir-se na terça-feira, em Bruxelas, disseram fontes diplomáticas à AFP.
Trata-se de uma reunião ao nível de embaixadores e foi pedida pelo Governo de Kiev, disseram as mesmas fontes.
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