Myriam Jaouen, 30 anos, foi acusada de homicídio, mas os jurados do Tribunal de Rhône, Lyon (centro-leste de França), consideraram-na culpada de "tortura e ato bárbaro que levou à morte sem intenção de causá-la".
O Ministério Público tinha pedido uma pena de prisão de 30 anos, 20 dos quais obrigatórios.
Há um "elemento insondável que nos escapa" neste crime, disse o procurador Baptiste Godreau, durante o julgamento em Lyon, mas considerou que a acusada, Myriam Jaouen, agiu "de consciência tranquila".
"Para punir a extrema gravidade deste ato, por ter tirado cobardemente a vida a uma criança indefesa, para proteger a sociedade de uma forma duradoura e para proteger os interesses da família", o procurador tomou a seu cargo a exigência de uma pena "pesada".
A arguida admitiu sob custódia policial ter obrigado a bebé a ingerir o líquido corrosivo, um desentupidor de canos, insistindo no entanto que não a queria matar.
A mulher apresentou várias versões dos factos antes de admitir, durante o julgamento, que tinha segurado a cabeça da criança e deitado o produto diretamente na sua boca, explicando que já não conseguia suportar o choro da menina.
"Oito minutos a sós com uma criança quando se tem um diploma CAP [Certificado de Aptidão Profissional] em primeira infância, será isso insuperável?", perguntou Godreau.
O magistrado denunciou a "cobardia" da arguida após o acontecimento, que não pediu ajuda, fez desaparecer o frasco de líquido, terminou o seu dia de trabalho e foi às compras, aparentemente indiferente à "agonia" do bebé.
A advogada dos pais da bebé lamentou as respostas evasivas da arguida durante o julgamento.
"A primeira pessoa que deveria pensar e interrogar-se (...) é Myriam Jaouen e não o faz", declarou Catherine Bourgade.
"Ao fim de três dias, não sabemos mais nada", reforçou a advogada.
Mas para Jean Sannier, advogado da associação Inocência em Perigo, "ela não responde, porque não há resposta: não se mata uma criança numa creche".
A mulher cometeu "um ato de crueldade indescritível", concordou a sua colega Sidonie Leblanc, da associação Criança Azul Infância Maltratada, que também interpôs uma ação civil.
O julgamento, ao qual Myriam Jaouen assistiu com as costas frequentemente curvadas, mas sem demonstrar grande emoção, pôs em evidência a sua personalidade frágil e as suas capacidades cognitivas limitadas.
Na altura dos acontecimentos, a mulher, parcialmente surda, ainda vivia com os pais, após um percurso escolar difícil e uma experiência intermitente no setor da primeira infância.
Era "absolutamente imatura", afirmou o Ministério Público.
A 22 de junho de 2022, a funcionária estava sozinha na abertura do estabelecimento quando o pai deixou lá a bebé, que "não chorava", segundo o seu comovente testemunho.
Alguns minutos mais tarde, duas mulheres que tinham ido deixar os seus filhos encontraram a empregada em pânico e a criança a vomitar.
A menina, que tinha sofrido queimaduras graves, morreu ao fim da manhã no hospital.
A tragédia causou comoção e desencadeou uma série de inquéritos administrativos, parlamentares e jornalísticos sobre a corrida aos lucros no setor das creches privadas.
Os pais da bebé, de luto, quiseram trazer o debate de volta à responsabilidade criminal do "monstro" que matou a sua filha.
"Falar de creches é um mau assunto", disse a mãe de Lisa na quarta-feira, que recordou a sua filha como uma menina risonha, morta uma semana antes do seu primeiro aniversário.
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