De acordo com a imprensa local, a decisão tomada na quinta-feira contou com o apoio da maioria dos juízes do tribunal e a destituição entrará em vigor assim que a antiga militante do Partido Socialista for oficialmente notificada.
A porta-voz do Governo chileno, Aysén Etcheverry, disse na quinta-feira que a decisão do tribunal, "no caso de um senador democraticamente eleito e com base na informação que temos diante de nós, estabeleceria um precedente sério".
"Enquanto poder executivo, é evidente que é nosso dever respeitar as decisões do Tribunal Constitucional, mas não podemos deixar de lamentar", enfatizou a ministra.
"A senadora Isabel Allende representa uma história política, profissional e pessoal de compromisso democrático que marcou profundamente a história do nosso país. Estamos convencidos de que ela e a sua família agiram de boa-fé", acrescentou.
O governo chileno tinha anunciado em 31 de dezembro a compra da residência por 933 milhões de pesos (887 mil euros), com o objetivo de a converter num museu.
A operação envolveu a assinatura de contratos com a então ministra da Defesa chilena, Maya Fernández, neta de Salvador Allende, e com Isabel Allende, ambas constitucionalmente proibidas de celebrar contratos com o Estado por ocuparem cargos públicos.
Maya Fernández, o seu irmão e as duas filhas do ex-presidente chileno são os quatro herdeiros da casa comprada em 1953 e na qual Allende viveu até 1971, um ano depois de tomar posse.
Ainda antes da sentença, Isabel Allende disse que "a memória do presidente Allende permanecerá intacta. A sentença não a mancha. Hoje não haverá museu, mas as ruas e praças que têm o seu nome por todo o Chile e pelo mundo permanecerão, assim como o seu legado político e o carinho de milhões dos seus compatriotas".
"Nos meus mais de 30 anos como funcionária pública, nunca usei o meu cargo para ganho pessoal e sempre respeitei a Constituição e as leis", acrescentou Allende, em comunicado.
O recurso tinha sido apresentado por deputados do Partido Republicano, de extrema-direita, e membros da coligação de direita Chile Vamos, que reúne a Renovação Nacional e a União Democrática Independente.
Numa conferência de imprensa, o presidente do Partido Republicano, Arturo Squella, acusou Isabel Allende de "ter cometido uma infração constitucional".
"Os parlamentares não podem celebrar contratos com o Estado, e uma pessoa que ocupou o cargo durante mais de 30 anos não poderia ignorar esta causa de demissão", acrescentou.
A polémica em torno da casa já tinha levado, em 10 de março, Maya Fernández, a demitir-se.
Marcela Sandoval, então ministra do Património Público, já tinha sido demitida em janeiro devido ao mesmo caso.
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