No arranque do julgamento no Tribunal de Coimbra, o homem de 41 anos, que está a cumprir outra pena de prisão, optou por não prestar declarações sobre o caso em que é acusado de praticar 16 crimes de burla (cinco dos quais acompanhado de outra pessoa não identificada) a idosos em várias localidades do distrito de Coimbra, com o propósito de lhes tirar peças em ouro, entre janeiro de 2020 e junho de 2021.
Na sessão, foram ouvidas algumas das pessoas lesadas pela burla, entre as quais uma mulher reformada de uma localidade do concelho de Coimbra que identificou o arguido à Polícia Judiciária e que voltou a confirmar a sua identidade em tribunal.
"É aquele senhor", disse, olhando para o arguido, notando que, na altura do crime, "não tinha o cabelo grande".
Segundo a testemunha, o arguido tê-la-á abordado dentro de uma carrinha verde, dizendo que tinha aberto uma ourivesaria em Coimbra, oferecendo-lhe "uma caixinha que estava a dar a pessoas amigas".
A mulher confundiu-o com um conhecido, contando que o homem lhe terá pedido "umas medalhas antigas para tirar umas fotografias".
A determinado momento, deu para as mãos do arguido um fio que tinha ao pescoço e este, na posse daquela peça em ouro, abandonou o local, com a vítima a gritar "que era ladrão".
Segundo a vítima, um homem, apercebendo-se da sua aflição, conseguiu registar a matrícula da viatura.
Outra testemunha, de Cantanhede, não conseguiu confirmar a identidade do arguido, mas disse que no seu caso também estava a conduzir um carro verde, alegando que era um sobrinho seu que estava emigrado e que estava a abrir uma ourivesaria, tendo-lhe entregado uma aliança para fotografar.
Também um homem de Soure contou que o arguido se fez passar por um sobrinho e falou de uma ourivesaria que tinha aberto em Soure.
"Caí na esparrela", disse.
Acreditando no arguido, a sua mulher foi a casa buscar alianças, um fio e umas peças em ouro para o arguido fotografar.
"Começou a fotografar o ouro na carrinha, depois disse que não tinha rede no telemóvel e que tinha que ir acima e aí percebi que era uma burla, que me tinha roubado o ouro", afirmou ao coletivo o lesado.
Na sessão de hoje de manhã, também foi ouvida uma testemunha que, perante a aflição de uma lesada, que corria atrás do carro, registou a matrícula da viatura.
Segundo a acusação a que a agência Lusa teve acesso, o arguido, natural do Alentejo, teria como plano abordar as vítimas na via pública, sobretudo quando se encontravam sozinhas, e convencia-as de que era familiar destas ou conhecido de amigos ou de familiares das pessoas burladas.
Para tentar convencer as vítimas e ter mais credibilidade na abordagem, informava-se previamente dos nomes de amigos e familiares das vítimas, afirmou o Ministério Público (MP).
O MP estimou que o arguido ter-se-á apropriado de objetos em ouro no valor global de cerca de 20 mil euros.
As vítimas tinham entre 68 e 80 anos, e eram de localidades dos concelhos de Cantanhede, Soure, Figueira da Foz, Coimbra e Montemor-o-Velho.
O Ministério Público deu nota de que o arguido já tinha sido condenado a seis anos e seis meses de prisão em 2019 pela prática de seis crimes de burla.
Os crimes de que é agora acusado ocorreram após a condenação, quando o arguido se encontrava foragido.
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