A informação está no boletim trimestral hoje divulgado pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), a que a Lusa teve acesso, na parte onde é analisado o evento, ocorrido em 11 de março.
Às 15h46, o A321neo descolou de Lisboa rumo ao Aeroporto de Londres Heathrow mas, pelas 16:20, "já em espaço aéreo espanhol o cockpit foi informado pelo chefe de cabine de que um dos membros da tripulação a desempenhar funções na parte de trás da aeronave estava com náuseas".
O GPIAAF conta que "sem qualquer indicação ou indício de fumo ou de cheiros no cockpit, a tripulação decidiu manter o nível de voo e aguardar cinco minutos para avaliar a situação".
"Com uma informação prévia de cheiros (fumes) em voos anteriores na aeronave, e dado que outros membros da tripulação de cabine confirmaram sintomas semelhantes, a tripulação de voo decidiu divergir para o aeroporto do Porto, cumprindo com os procedimentos" previstos nestas situações, "incluindo o uso de mascaras de oxigénio", refere o GPIAAF.
Este organismo relata que, durante a descida da aeronave e já em contacto com o aeroporto do Porto, "dado que alguns passageiros referiram estar com alguns sintomas, foi decidido declarar emergência e solicitar assistência médica à chegada, prevenindo possíveis atrasos na prestação desses serviços".
A aterragem "ocorreu com normalidade com o desembarque dos passageiros", tendo os sete tripulantes e dois passageiros sido "transportados para o hospital para uma avaliação médica".
O GPIAAF diz que "a informação prévia da tripulação de voo sobre problemas anteriores com cheiros na aeronave do evento era referente ao mesmo dia nos dois voos anteriores".
No primeiro voo entre Lisboa e o Funchal foi reportada "a presença de cheiros estranhos na zona traseira da aeronave". No Funchal, os serviços de manutenção realizaram uma inspeção aos dois motores e à APU (Unidade Auxiliar de Potência) "sem qualquer anomalia reportada", enquanto no segundo voo, do Funchal para Lisboa, "foram reportados cheiros estranhos à descolagem, contudo terão desaparecido logo de seguida".
"Entre a ocorrência do dia 11 de março que levou a aeronave a aterrar no Porto em emergência e o retorno da aeronave ao serviço regular na manhã do dia 14 de março, os serviços de manutenção do operador realizaram trabalhos de despiste da anomalia reportada, seguindo as recomendações do fabricante para este tipo de situação, sem resultados conclusivos", revela o GPIAAF.
Este gabinete indica que a TAP realizou um voo de posição do Porto para Lisboa com técnicos a bordo para tentar isolar possíveis fontes de odores, "também sem resultados conclusivos".
Em Lisboa, acrescenta o GPIAAF, "foi realizada uma inspeção detalhada aos dois motores e APU sem qualquer indício de anomalia de fuga interna de fluidos que pudesse ter contribuído para uma contaminação do sistema pneumático".
Além disso, foram também "realizadas várias descontaminações ao sistema pneumático, não havendo reportes de outros eventos na aeronave desde o seu retorno ao serviço".
"Consultada a base de dados de ocorrências do operador relativa à mesma aeronave, em 11 de novembro de 2024 registou-se um derrame de água no porão associado ao transporte de peixe. As ações corretivas passaram por uma limpeza da área, sem a remoção dos estrados do porão. Segundo o operador, a aeronave não sofreu qualquer intervenção profunda com a remoção de estrados do porão desde a data da referida ocorrência", detalha o GPIAAF.
Segundo este organismo de investigação, "não se pode excluir que o evento de cheiros em 11 de março tenha tido origem, ou que possa ter tido como contributo, diretamente ou por efeito cumulativo, o evento de novembro de 2024".
O GPIAAF indica que em 2024 houve 1.249 reportes deste tipo de ocorrências na base de dados europeia, sendo um assunto que tem vindo a ser objeto de atenção pela indústria, organismos de investigação e EASA, regulador europeu.
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