Ao longo dos últimos anos, eram cada vez menos os estudantes que chumbavam no ensino secundário, uma tendência quebrada no ano letivo de 2022/2023, revelam os dados disponibilizados pelo Ministério da Educação, Ciência e Educação (MECI).
Olhando para o percurso de mais de 64 mil jovens que deveriam ter concluído o 12.º ano no verão de 2023, apenas 45 mil o conseguiu fazer. Quase 15 mil chumbaram em algum momento.
Esta realidade veio contrariar uma tendência de melhoria gradual: Em 2018/2019, 63% dos alunos terminaram o secundário em três anos, no ano seguinte foram 70%, depois 77% e no final de 2022 eram 80%.
Os últimos dados, relativos a 2022/2023, mostram que apenas 77% conseguiu fazer o secundário sem percalços. São os alunos do 10.º e do 12.º anos que mais chumbam ou desistem (12% e 11%, respetivamente), já que no 11.º ano, apenas 4% ficam retidos ou deixam de estudar.
As médias nacionais escondem realidades díspares. Num universo de mais de 500 escolas, há oito onde a maioria dos alunos não consegue fazer os três anos sem chumbar.
As oito escolas ficam na Área Metropolitana de Lisboa: Duas em Lisboa, outras duas em Odivelas e as restantes na Amadora, Loures, Sintra e Cascais.
Há 40 escolas onde mais de 40% dos alunos chumbaram no secundário e, mais uma vez, a grande maioria (32) localiza-se na Área Metropolitana de Lisboa.
Apenas oito estabelecimentos de ensino com elevadas taxas de chumbos ficam fora da região de Lisboa, destacando-se o distrito de Bragança, com escolas identificadas em Vila Flor, Alfandega da Fé e Vinhais, e o Porto, com escolas nos municípios do Porto, Paredes e Vila Nova de Gaia. Há ainda um caso numa escola em Mora e outro em São João da Pesqueira.
Mas também existem muitos casos de sucessos, em que as escolas conseguem que os seus alunos superem o que é esperado, tendo em conta o desempenho de alunos semelhantes noutras escolas do país.
Há 12 escolas onde todos os alunos concluíram o secundário nos três anos esperados. Nesta lista destacam-se a Escola Básica e Secundária de Paredes de Coura e a Escola Básica e Secundária Vale d'Este, em Viatodos, Barcelos, uma vez que não houve nenhum chumbo e o habitual no país para alunos semelhantes são taxas de chumbos acima dos 20%.
Analisando o percurso académico dos quase 65 mil alunos, percebe-se que são os de Artes Visuais os que mais reprovam (69%), seguindo-se os de Ciências Socioeconómicas e Línguas e Humanidades (ambos com 75% de sucesso) e finalmente os alunos de Ciências e Tecnologias (79%).
Nos outros níveis de ensino, há muito menos casos de insucesso: No 1.º e 2.º ciclos as taxas de sucesso foram acima dos 90% no ano letivo de 2022/2023 e no 3.º ciclo foram de 88%.
Num cruzamento entre os resultados académicos e os dados socioeconómicos, os números mostram que a escolaridade dos pais continua a ter forte influência no sucesso académico dos filhos, com a escolaridade das mães a ter ainda mais preponderância.
Também continua a ter forte impacto a condição económica das famílias, com os alunos sem apoio social escolar a terem melhores resultados a todas as disciplinas quando comparados com os colegas mais pobres (beneficiários de ASE).
Leia Também: Melhor escola pública só aparece em 33.º lugar do ranking (Norte lidera)