Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústria Transformadoras, de Energia e de Atividades de Ambiente do Centro-Norte (SITE-CN), o prazo resulta da insolvência declarada na passada sexta-feira pelo Tribunal de Aveiro, em resposta a um segundo Pedido Especial de Revitalização pela referida marca de fundição injetada, a SLM.
"A insolvência é para as duas empresas, porque a DMM é do mesmo grupo, e o caso tem alguns anos, porque em 2023 eles já pediram um Processo Especial de Revitalização [PER]. Nessa altura foi aprovado um período de carência de seis meses, para o administrador judicial tentar arranjar um comprador para a fábrica, mas ele não encontrou interessados", conta à Lusa o coordenador sindical Justino Pereira.
Desde essa altura, o processo tem-se "arrastado devido a vários entraves", nomeadamente a contestação do PER inicial por parte de alguns credores, "sobretudo trabalhadores" que queriam ver acauteladas as suas indemnizações em caso de encerramento da produção. "Entre avanços e recuos", passaram-se assim dois anos "em que o estado da empresa se foi agravando".
Justino Pereira diz, contudo, que o problema "não é falta de encomendas", uma vez que, embora tendo no grupo Volkswagen o seu único cliente, desde 2023 "os trabalhadores nunca estiveram parados e até fizeram horas extras". Para o sindicalista, a dificuldade é mesmo a "tesouraria corrente", já que antigas dívidas a fornecedores "vão-se arrastando e acumulando juros", pelo que, mal a empresa recebe algum pagamento, "o dinheiro volta a sair de imediato e assim nunca há 'cash-flow'" estável e regularizado.
Entre SLM e DMM, a situação afeta cerca de 500 funcionários, para com os quais o grupo "tem todos os salários em dia". Em situação diferente estão credores como o Novo Banco, o BPI, o IAPMEI -- Agência para a Competitividade e Inovação, a Scalabis e a Servdebt.
"Com a declaração de insolvência, a expectativa do grupo é que a banca e outros credores lhe perdoem parte da dívida. Isso pode fazer a diferença, já que, em termos de trabalho, a marca tem 'know-how' e está sempre com encomendas", refere Justino Pereira.
Segundo dados institucionais da SLM, fundada em 1989, essa produz em média seis milhões de peças por ano. Dos 16 milhões de automóveis fabricados anualmente na Europa, "20% desses carros" têm peças do grupo de Oliveira de Azeméis.
A Lusa tentou ouvir a empresa, mas não houve resposta aos contactos.
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