As novas tarifas correm o risco de "devastar a economia do Lesoto, onde quase 20% das exportações se destinam aos EUA", escreve a Oxford Economics, apontando que "outros países africanos que serão afetados pelo anúncio incluem as Maurícias - com uma tarifa de 40% e com os EUA a representarem cerca de 10% das suas exportações - e a África do Sul, com uma tarifa de 30% e com os EUA a representarem pouco menos de 10% das exportações".
O reino do Lesoto é o país que "vai sofrer o impacto direto mais severo, mas as repercussões para as cadeias globais de abastecimento e as perspetivas económicas noutros parceiros comerciais mostram que nenhuma economia ficará incólume" e, por outro lado, indiciam que a Lei do Crescimento e das Oportunidades para África (AGOA), que termina em setembro, "está, na prática, morta", escrevem os analistas do departamento africano desta consultora britânica.
"A severidade do anúncio apanhou a maioria das pessoas de surpresa, e África alberga algumas das economias mais fortemente atingidas; Lesoto, Madagáscar e Maurícias vão sofrer algumas das tarifas recíprocas mais elevadas a nível mundial, e os Estados Unidos têm sido um significativo destino de exportação para estes países", alertam os analistas.
Promulgada em 2000, a lei AGOA, que beneficia cerca de 30 países da África subsaariana, tem de ser renovada em setembro e parece agora já nos meses finais devido às alterações na política comercial dos Estados Unidos desde o regresso de Trump à Casa Branca, que incluíram também uma suspensão do financiamento da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que gere um orçamento anual de 42,8 mil milhões de dólares (39,5 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual), e que vale 42% da ajuda humanitária desembolsada em todo o mundo.
Na quarta-feira, o Presidente dos Estados Unidos anunciou novas tarifas norte-americanas de 20% a produtos importados da União Europeia (UE) e que acrescem às de 25% sobre os setores automóvel, do aço e do alumínio.
As novas tarifas de Trump são uma tentativa de fazer crescer a indústria dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que pune os países por aquilo que disse serem anos de práticas comerciais desleais.
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