"É importante evitar ações que possam prejudicar ainda mais a economia global", disse Georgieva num comunicado na quinta-feira, enquanto os parceiros comerciais de Washington ponderam medidas de retaliação contra as tarifas anunciadas por Trump.
"Ainda estamos a avaliar as implicações macroeconómicas das medidas tarifárias anunciadas, mas representam claramente um risco significativo para a perspetiva global num momento de fraco crescimento", disse Georgieva.
"Pedimos aos Estados Unidos e aos seus parceiros comerciais que trabalhem de forma construtiva para resolver as tensões comerciais e reduzir a incerteza", acrescentou.
As tarifas mais elevadas do que o esperado de Donald Trump desencadearam uma queda nos mercados do dólar, do petróleo e das ações em todo o mundo na quinta-feira, com os mercados financeiros a anteciparem um declínio no crescimento e no comércio global.
Wall Street fechou em acentuada baixa, com o S&P500 e o Nasdaq a viverem as piores baixas em cinco anos.
Os resultados de sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average perdeu 3,98%, o tecnológico Nasdaq caiu 5,97%, o pior desempenho desde março de 2020 e o alargado S&P500 recuou 4,84%, a perda maior desde junho de 2020.
A desvalorização das ações na sessão de quinta-feira está estimada em milhares de milhões de dólares.
A praça bolsista foi abalada pelas novas taxas alfandegárias apresentadas na quarta-feira por Trump, que causaram um vento de pânico na maior parte dos mercados.
Estes agravamentos pautais são particularmente pesados para os exportadores asiáticos e da União Europeia (UE), suscitando ameaças de represália que podem levar à asfixia das economias dos países visados, mas também da dos EUA.
A ofensiva da Casa Branca, sem paralelo desde os anos 1930, prevê taxas alfandegárias suplementares de 10% e majorações para alguns países: 20% para a UE, 34% para a China, 24% para o Japão e 31% para a Suíça.
"As taxas alfandegárias são mais elevadas e mais graves que previsto e vai ser preciso tempo para determinar os efeitos exatos, não apenas na economia, mas também sobre os lucros das empresas", comentou Tom Cahill, analista da Ventura Wealth Management, em declarações à AFP.
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