"É muito difícil para nós ver a narrativa russa tão fortemente representada nos Estados Unidos", disse Kallas num evento no Hudson Institute, um think tank na capital norte-americana, Washington, D.C..
"É bastante surpreendente para nós", adiantou a também vice-presidente da Comissão Europeia, que está em Washington para uma visita que estaria centrada numa reunião com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na terça-feira.
Este encontro foi cancelado devido a "problemas de agendamento" do chefe da diplomacia norte-americana, cuja agenda oficial de quarta-feira incluiu apenas a sua participação numa reunião de gabinete na Casa Branca, a primeira da nova administração do Presidente Donald Trump.
Kallas não deu mais detalhes sobre o cancelamento da reunião, mas salientou que se tinha reunido com Rubio recentemente na Conferência de Segurança de Munique.
Trump, que tem feito duras críticas a Bruxelas, recebeu em paralelo esta semana na Casa Branca o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
No Hudson Institute, a chefe da diplomacia de Bruxelas observou que na segunda-feira a administração Trump não só retirou "de repente" a sua assinatura de uma resolução da ONU apoiada pela Ucrânia e pela UE, como também "começou a fazer 'lobby 'contra ela".
Segundo Kallas, a votação na Assembleia Geral da ONU sugeriu que os Estados Unidos "têm novos amigos", como a Rússia, a Bielorrússia e a Nicarágua.
"Estamos a tentar perceber o que os Estados Unidos estão a fazer e qual a sua estratégia, porque sempre estivemos do mesmo lado que o nosso aliado", enfatizou.
Falando sobre o acordo entre Washington e Kyiv, segundo o qual a Ucrânia partilhará os seus recursos naturais com os Estados Unidos, a política estónia disse que é uma boa notícia, desde que inclua o compromisso norte-americano com a segurança do país cujo território a Rússia pretende anexar.
A alto representante insistiu ainda que a UE deveria estar envolvida nas negociações entre os Estados Unidos e a Rússia para um tratado de paz na Ucrânia, dado que terá de "implementar" tal acordo e este "não funcionará" se os europeus não concordarem.
Na reunião do seu gabinete na quarta-feira, Trump anunciou que os produtos europeus estarão em breve sujeitos a taxas alfandegárias de 25%, acusando a UE de prejudicar os Estados Unidos.
"A UE foi criada para irritar os Estados Unidos. Esse era o objetivo. E eles tiveram sucesso. Mas agora sou eu o Presidente", disse Trump.
Os países europeus, acrescentou, poderão sentir-se tentados a retaliar, mas não terão sucesso.
"Podem tentar fazer isso, mas os efeitos nunca serão os mesmos, porque podemos ir embora. (...) Eles podem tentar retaliar, mas não vai resultar", repetiu Trump.
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