No debate de uma petição apresentada por cidadãos e sete iniciativas de partidos sobre a Palestina, Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, começou por apelidar como "muito precário" o cessar-fogo em vigor desde meados de janeiro e após 15 meses de conflito entre Israel e o Hamas, em Gaza.
A deputada criticou quem "ignora o genocídio" em Gaza e "amplifica a narrativa do agressor [Israel]", além de assinalar que a esperança média de vida - 40 anos - dos palestinianos tornou-se na "mais baixa do mundo" e o aumento em três vezes do número de detenções na Cisjordânia desde o outubro de 2023.
Pelo Livre, Rui Tavares sublinhou a necessidade que todos façam "tudo o que estiver ao alcance para que a justiça a tragédia" não continue, criticando ainda o recente vídeo divulgado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, com recurso à Inteligência Artificial, mostrava Gaza como uma estância balnear.
"É uma das mais abjetas glorificações de limpeza étnica. É impossível que não condenemos tal ato", instou.
Seguiu-se Paula Santos, do PCP, que saudou a "resistência palestiniana", exigiu o "fim dos massacres e da política criminosa israelita", assim como um "cessar-fogo permanente" e o reconhecimento pelo governo português do Estado da Palestina.
O deputado Pedro Correia, do Chega, recordou a cronologia do conflito de Gaza, referindo a "violência bárbara" do Hamas e Hezbollah no ataque de 07 de outubro de 2023 contra Israel, que depois respondeu em "legítima defesa para conservar o seu território e garantir o resgate dos reféns".
O parlamentar notou ainda que os "palestinianos merecem um futuro sem o Hamas" e o apoio à implementação do acordo de cessar-fogo.
Paulo Neves do PSD, saudou as posições tomadas pelo executivo de "enorme firmeza, enorme equilíbrio e posições" e a defesa de "soluções construtivas e justas nesta difícil questão", enumerando designadamente o reforço da Autoridade Palestiniana e o apelo à paz.
Já João Almeida, do CDS, recordou ter estado em casas de israelitas que foram feitos reféns em outubro de 2023, como a família da mãe e dos filhos Bibás foram "assassinados pelo Hamas durante o cativeiro".
"Estranhamente tem a conivência com colegas desta casa (...) Temos de lutar pelo cessar-fogo. Só há paz se denunciarmos os terroristas", concluiu.
O liberal Rodrigo Saraiva criticou os islamitas palestinianos do Hamas, um "grupo terrorista, cujo único objetivo é destruir Israel, que além de matar e fazer reféns mantém também a população palestiniana refém", recusando "gestos unilaterais pela paz" como a defesa de suspender relações diplomáticas com Israel.
Pelo PS, João Paulo Rebelo, foi afirmada a condenação "em absoluto do ataque do Hamas em outubro".
"Condenamos o que nos parece ser uma retaliação absolutamente desproporcionada", afirmou ainda, garantindo preocupação com os reféns israelitas e com as vítimas palestinianas.
O Chega, por Pedro Pinto, ainda acusou a "extrema esquerda que não teve uma palavra para os reféns (israelitas)".
"Estão sempre ao lado dos terroristas", acusou o deputado, tendo logo depois Rui Tavares, do Livre, pedido que fosse distribuída a tomada de posição do seu partido condenando os "ataques terroristas hediondos" tomada antes do Chega.
Esta manhã estiveram em debate e votação uma petição com mais de 14 mil assinaturas solicitando a interrupção das relações diplomáticas entre Portugal e Israel e um cessar-fogo para Gaza, assim como sete iniciativas de partidos sobre a Palestina. Todos os diplomas foram rejeitados.
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