Esta será a sexta manifestação desde as inundações e mantém o lema das anteriores: "Mazón demisión", um pedido de demissão do presidente do governo regional da Comunidade Valenciana, Carlos Mazón, que tem sido o principal alvo das críticas.
Nas manifestações anteriores saíram à rua dezenas de milhar de pessoas: 130 mil em 09 de novembro, 100 mil em 30 de novembro, 80 mil em 29 de dezembro, 25 mil em 01 de fevereiro e 30 mil em 01 de março, segundo dados da Delegação do Governo (a entidade que autoriza os protestos e é responsável por acionar um dispositivo de segurança).
Para os organizadores, a demissão de Mazón "é mais necessária do que nunca", depois de nas últimas semanas terem sido conhecidos os primeiros relatórios da investigação judicial que visa apurar eventuais responsabilidades políticas na gestão das cheias e do acordo anunciado pelo presidente autonómico, que é do Partido Popular (PP, direita), com o Vox (extrema-direita) para viabilizar os orçamentos da região.
"Serviços públicos de qualidade salvam vidas, os cortes e a precarização matam", disseram esta semana os organizadores da manifestação, na convocatória do novo protesto.
Para esta plataforma de entidades, o acordo com o Vox é "indigno" e só foi alcançado para Mazón se manter no cargo de presidente do governo regional.
"Mazón não se demite para se proteger e assumiu como próprio e com este fim o discurso racista e negacionista das alterações climáticas do partido de extrema-direita", considerou a plataforma.
Quando anunciou o acordo, em 17 de março, Mazón argumentou que garantir a aprovação dos orçamentos regionais é imprescindível para a reconstrução das zonas afetadas pelas cheias e, em linha com o discurso do Vox, criticou o "pacto verde" da União Europeia, de resposta às alterações climáticas, falando em "agenda ambientalista mal concebida na Europa" que prejudica setores como a agricultura. Fez ainda, no mesmo dia, declarações sobre imigração que os críticos consideraram racistas e xenófobas.
Em paralelo, o Vox assegurou que pretende impor nos próximos orçamentos de Valência, entre outras medidas, o fim de todos os apoios a organizações não-governamentais (ONG) "de apoio à imigração ilegal".
Quanto à investigação judicial, a juíza que tutela a instrução chamou no início deste mês dois ex-membros do governo regional para prestarem declarações, naquela que foi a primeira convocatória de duas pessoas na qualidade de "investigados" no processo.
Foram chamados a ex-conselheira (equivalente a ministra num governo nacional) responsável pela proteção civil, Salomé Pradas, e o seu adjunto, Emilio Argüeso.
A juíza justificou que Salomé Pradas, que Mazón substituiu no governo regional poucas semanas após as inundações, era a "máxima autoridade" para adotar medidas de proteção da população e que o alerta enviado pela proteção civil "foi tardio e errado".
O alerta da proteção civil foi enviado às 20:11, horas depois de, ao início da manhã do mesmo dia, ter sido emitido um aviso vermelho (o mais grave) pelos serviços de meteorologia espanhóis.
Para a juíza, o problema no dia das cheias não foi a "falta de informação", mas a informação disponível ter sido "ignorada" ou "as decisões relevantes não terem sido tomadas por quem tinha poder de decisão", neste caso, o governo regional.
A maioria das vítimas em Valência morreu antes de ser enviado o alerta da proteção civil para os telemóveis da população, segundo o primeiro relatório da investigação judicial, conhecido em 26 de fevereiro.
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