O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun disse, em conferência de imprensa, que "a questão de Taiwan é um assunto puramente interno da China e não admite interferência estrangeira".
Guo afirmou que "o que mina a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan são as atividades 'separatistas' a favor da independência de Taiwan e a conivência e apoio de forças externas".
"Se querem realmente a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan, têm de seguir a tendência geral da comunidade internacional", acrescentou o porta-voz, apelando ao "respeito pela soberania e integridade territorial da China".
Guo disse que "defender a independência de Taiwan é dividir o país, apoiá-la é interferir nos assuntos internos da China e aprová-la é minar a estabilidade no estreito de Taiwan" e salientou que as manobras das forças chinesas constituem "uma ação disciplinar resoluta contra as provocações" da administração liderada pelo líder de Taiwan, William Lai, pelas "tentativas desenfreadas de independência".
"Enquanto as provocações a favor da independência de Taiwan continuarem, o castigo contra os 'independentistas' não cessará", advertiu o porta-voz, afirmando que Pequim "nunca permitirá que alguém ou qualquer força separe Taiwan da China por qualquer meio".
Na terça-feira, Washington condenou as manobras chinesas em torno de Taiwan e garantiu que o Presidente norte-americano, Donald Trump, insiste na importância de "manter a paz" no estreito.
Por seu lado, o Serviço de Ação Externa da União Europeia lamentou que as manobras chinesas "aumentem as tensões no estreito de Taiwan".
O Exército chinês anunciou esta manhã (hora local) a realização de novos exercícios militares no centro e no sul do estreito de Taiwan para "testar as capacidades das tropas", na sequência das manobras de terça-feira.
Os exercícios, designados "Straits Thunder-2025A", centraram-se em tarefas de "identificação e verificação", "aviso e expulsão" e "interceção e detenção" para "testar as capacidades das tropas" em domínios como "controlo aéreo, bloqueio e ataques de precisão contra alvos-chave".
Especialistas citados na imprensa oficial chinesa afirmaram que os exercícios mostram que os militares chineses têm "amplas opções de dissuasão" e que Pequim optou por "apertar o cerco às forças secessionistas" com "medidas mais duras e ações enérgicas".
Os exercícios estão a decorrer semanas depois de William Lai, considerado "pró-independência e desordeiro" pelas autoridades chinesas, ter apelidado a China de "força externa hostil" e anunciado iniciativas para travar as operações "de infiltração" de Pequim na ilha.
Taiwan tem um governo autónomo desde 1949 sob o nome de República da China e possui forças armadas e um sistema político, económico e social diferente do da República Popular da China, destacando-se como uma das democracias mais avançadas da Ásia.
No entanto, Pequim considera Taiwan "parte inalienável" do território chinês e não descarta o uso da força para conseguir a "reunificação" da ilha.
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