Imigrantes asiáticos vão concentrar-se contra a falta de resposta da AIMA

Imigrantes, a maioria de origem asiática, têm marcado para segunda-feira uma concentração junto à Agência para a Integração, Migrações e Asilo, em Lisboa, para contestar a discriminação e falta de respostas, que está a suspender a vida de milhares.

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© REINALDO RODRIGUES/Global Imagens

Lusa
02/04/2025 14:55 ‧ ontem por Lusa

País

AIMA

Uma iniciativa que conta com o apoio da maior associação de imigrantes do país, a Solidariedade Imigrante, que ouviu as queixas de imigrantes do Bangladesh, Nepal, Paquistão e Índia, aqueles "que o Estado português não quer aceitar", como refere o presidente da estrutura.

 

"Nada nos cai dos céus, nada nos é dado, se nós não lutarmos para que as coisas se alterem", afirmou à Lusa Timóteo Macedo, comentando a concentração agendada para o próximo dia 07 de março, pelas 10:00.

O dirigente explicou que um grupo de imigrante pediu à associação para realizar uma "manifestação de descontentamento", sendo a concentração de segunda-feira a primeira de várias contra a política migratória portuguesa que se irão realizar.

"Reunimos há pouco tempo com representantes das várias comunidades que estão a ser muito perseguidas, até por algumas organizações da extrema-direita em Portugal. Falamos das comunidades asiáticas e também das comunidades islâmicas", disse Timóteo Macedo, denunciando o "aumento da islamofobia" no país.

O responsável salientou que a associação recebe imigrantes de todo o mundo e já atingiu os 70 mil membros, o que considerou ser "uma coisa inédita neste país e na Europa" e mostra o descontentamento das pessoas contra as alterações legais em Portugal, que eliminou as manifestações de interesse, um recurso jurídico que permitia a legalização de estrangeiros apenas com visto turístico.

Timóteo Macedo criticou a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) por estar a mostrar uma "grande inoperância", o que deixa a vida de milhares de imigrantes suspensa, e acusou esta estrutura de estatal de "não responder e indeferir mais de 50% das anteriores manifestações de interesse".

Avançou também que os imigrantes identificados como irregulares noutros países europeus são colocados numa "lista de não admissão do espaço Schengen" e, por causa disso, não têm resposta da AIMA.

Essas pessoas optaram por vir para Portugal para pedir manifestações de interesse e caberia à AIMA identificar os casos e retirá-los da lista em causa, caso cumpram os requisitos legais em Portugal.

Mas "a AIMA não está a fazer absolutamente nada, queixa-se de não ter recursos humanos e diz não tem muitas vezes competências para fazer isso", acusou Timóteo Macedo, que quer, com esta concentração, "alertar a sociedade civil e a comunicação social para a situação destas milhares e milhares de pessoas que têm a vida suspensa".

"Estão cá a trabalhar, fazem os seus descontos, passaram por um outro país e não fizeram nada de mal. Mas agora têm a vida parada", afirmou, salientando que só no Porto existem 800 casos deste tipo.

A abertura de canais prioritários aos cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ao contrário do que sucede com outras origens corresponde a uma estratégia de "dividir para reinar" os imigrantes e o movimento associativo.

Recentemente, foi assinado o acordo entre o estado e as entidades patronais para a contratação nos países de origem, denominada "Via Verde", mas Timóteo Macedo é muito crítico da medida, porque transformam "os trabalhadores em contratados, escravizados e acorrentados aos patrões".

"Os patrões não ficam responsáveis por nada, porque retiram dos salários tudo, o seguro de saúde, os custos da educação [da língua portuguesa] ou a habitação que disseram ao Governo ser responsáveis", acusou, frisando que vão "meter em contentores as pessoas, presas às empresas, sem direito a uma vida autónoma".

Leia Também: Cidadã brasileira move ação contra Estado e AIMA e pede indemnização por dano

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