"Eu tenho a consciência absolutamente tranquila de que aquela equipa, a equipa de que fiz parte durante 20 anos no município de Cascais, teve como premissa principal o compromisso com os superiores interesses dos cascalenses e das populações de Cascais", disse o ministro, que até há cerca de um ano era vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais (PSD).
O governante destacou que as buscas são o escrutínio e a justiça a funcionar e "uma oportunidade para esclarecer tudo".
"São queixas que acontecem, é normal. Eu não sou apologista de cabalas ou de conluios. É normal que existam queixas. A justiça funciona assim e é normal que a justiça investigue a pura verdade até ao mais ínfimo pormenor, que nos dê oportunidade também de falarmos e que esclareça tudo o que houver para esclarecer", afirmou.
O ministro afirmou ainda que não foi contactado nem teve buscas, mas está "convicto que a verdade virá à tona".
Pinto Luz destacou que, pelo que soube pela comunicação social, trata-se de um terreno de 800 metros quadrados alienado pela Câmara de Cascais "por um valor muito superior às avaliações que existiam", que é reserva ecológica nacional, onde não se pode construir.
"O hotel que hoje está lá construído não tem um metro quadrado construído nesse terreno, e isso que fique muito claro", disse.
Segundo o governante, o terreno era um enclave dentro do terreno grande "que faz parte do jardim do hotel".
"Era natural que a Câmara não tivesse interesse em ficar com um terreno no meio de um jardim do hotel e era natural que quem está a investir num hotel quisesse adquirir esse terreno", explicou.
A Polícia Judiciária (PJ) fez buscas na quarta-feira em Lisboa e Cascais por suspeitas de favorecimento no processo de venda de um terreno municipal destinado à construção de um hotel de luxo.
Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, confirmou as buscas da PJ na autarquia, visando dois processos de urbanismo sobre os quais não foram mencionados suspeitos, mas em relação aos quais admitiu a intervenção do ex-vice-presidente Miguel Pinto Luz.
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