"Temos aqui dois patamares: um, que, claramente, caberá ao próximo Governo, que é o que esteja acima dos 2%; outro que tem de ser preparado por este [Governo] e que tem de ser assumido, desde logo na cimeira [da NATO em junho em Haia] e em reuniões preparatórias, e que deve ser preparado num espírito de diálogo com os partidos da oposição, porque é uma causa nacional", disse Paulo Rangel.
Em declarações aos jornalistas no quartel-general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), em Bruxelas, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros admitiu que o compromisso que Portugal fará "implicará a antecipação relativamente ao prazo de 2029".
O prazo de 2029 que o Governo estabeleceu para atingir os 2% de investimento do PIB em Defesa já era uma antecipação do objetivo traçado pelo anterior executivo liderado pelo socialista António Costa.
"Antes das eleições, o Governo pode preparar decisões sobre essa matéria, mas não pode tomá-las", completou Paulo Rangel, admitindo que 2029 é uma "meta que terá de ser antecipada".
Questionado sobre as declarações feitas pelo secretário de Estado dos Estados Unidos de que queria os países da NATO a investir mais de 5% do PIB em Defesa, o chefe da diplomacia portuguesa reconheceu que "a curto prazo não é possível para Portugal".
"Os 5% são demasiado elevados, possivelmente vamos chegar a outra percentagem", indicou, admitindo que "estará no horizonte" um aumento progressivo da despesa nesta área.
Os chefes da diplomacia dos países da NATO iniciaram hoje em Bruxelas uma reunião de dois dias que conta, pela primeira vez, com a participação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Com Rubio, os aliados estão a discutir o apoio à Ucrânia e os contactos iniciados por Washington para um cessar-fogo do conflito iniciado com a invasão russa em fevereiro de 2022, bem como o aumento dos gastos militares dos Estados-membros da Aliança Atlântica.
[Notícia atualizada às 18h22]
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