Pelo menos 99 detidos e 50 feridos em protestos contra Governo na Grécia

Pelo menos 99 pessoas foram hoje detidas e 50 receberam tratamento médico, muitas devido ao gás lacrimogéneo utilizado pela polícia, durante os protestos contra o Governo na Grécia, no segundo aniversário do acidente ferroviário que provocou 57 mortos.

Notícia
AnteriorSeguinte

© Getty Images

Lusa
28/02/2025 15:49 ‧ há 4 horas por Lusa

Mundo

Grécia

Cerca de 300 mil gregos participam hoje numa greve geral e em manifestações em memória dos 57 mortos no desastre ferroviário de 28 de fevereiro de 2023. Em Atenas, cerca de 200 mil manifestantes reuniram-se em frente ao Parlamento para exigir respostas sobre as causas exatas deste acidente que se tornou um "trauma coletivo", segundo o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.

 

A mobilização pacífica começou a ser abalada após um grupo de pessoas mascaradas ter atirado 'cocktails' Molotov e pedras contra a polícia antimotim, que respondeu com gás lacrimogéneo.

Após o incidente, os confrontos entre manifestantes e polícia alastraram-se pela capital, tendo sido registados conflitos em várias ruas e zonas centrais de Atenas.

Até ao momento, a polícia deteve 84 pessoas em Atenas, muitas das quais durante "controlos preventivos" antes do início dos tumultos, de acordo com a agência noticiosa EFE.

Também se registaram distúrbios em Patras e em Salónica, a segunda maior cidade do país, onde pelo menos 15 pessoas foram detidas.

Os serviços de saúde trataram cerca de 40 pessoas diretamente em frente ao parlamento, muitas das quais ficaram feridas devido à inalação dos gases utilizados pela polícia antimotim.

Uma dezena de pessoas foram admitidas no hospital da capital com ferimentos ligeiros, incluindo um fotojornalista da agência noticiosa estatal AMNA, que foi atingido na cabeça por uma granada de atordoamento, de acordo com a plataforma 'online' Web Newsit.

De acordo com o porta-voz do principal sindicato do setor privado, GSEE, Dimitris Karayeorgopoulos, cerca de 500.000 pessoas participaram na manifestação em Atenas.

"Nos 27 anos em que estou no sindicato, nunca vi uma concentração tão grande, uma manifestação tão grande, um protesto tão grande", disse Karayeorgopoulos à agência espanhola EFE.

Foram também registados protestos em 250 outras cidades e vilas gregas, no âmbito da greve geral de 24 horas convocada pelos principais sindicatos gregos, a que se juntaram marinheiros, trabalhadores ferroviários e controladores aéreos.

Com os transportes paralisados, as escolas, as universidades, as administrações e as lojas encerradas, o país está hoje praticamente parado, respondendo ao apelo de uma greve geral de 24 horas.

Em 28 de fevereiro de 2023, um comboio de mercadorias colidiu frontalmente com um comboio com mais de 350 passageiros perto da cidade de Tempe, a cerca de 350 quilómetros a norte da capital, resultando na morte de 57 pessoas.

Além do erro humano atribuído ao chefe da estação local naquela noite, as investigações revelaram imediatamente negligência grave na rede ferroviária, em particular a falha em adaptar os sistemas de segurança aos padrões exigidos.

Dois anos depois, muitos manifestantes apontam um alegado encobrimento de responsabilidade pelo pior acidente de comboio na Grécia, uma acusação feita pelo coletivo de famílias das vítimas e pela sociedade civil.

O Governo conservador rejeitou repetidamente as acusações dos partidos da oposição de que existia um "plano organizado" para encobrir altos funcionários.

Kyriakos Mitsotakis, reeleito apenas quatro meses após o desastre, denunciou uma tentativa de "desestabilizar" o país, criticando "a instrumentalização política da dor humana".

Um relatório especializado financiado pelas famílias das vítimas concluiu que o comboio de mercadorias transportava uma carga ilegal e não declarada de produtos químicos explosivos, o que pode ter contribuído para o elevado número de mortos.

Leia Também: Milhares saem à rua no 2.º aniversário de acidente ferroviário na Grécia

Partilhe a notícia

Escolha do ocnsumidor 2025

Descarregue a nossa App gratuita

Nono ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online e eleito o produto do ano 2024.

* Estudo da e Netsonda, nov. e dez. 2023 produtodoano- pt.com
App androidApp iOS

Recomendados para si

Leia também

Últimas notícias


Newsletter

Receba os principais destaques todos os dias no seu email.

Mais lidas