O anúncio oficial será realizado na Assembleia-Geral Anual da Desjardins Caixa Portuguesa, agendada para 12 de abril.
"A cada ano que passa temos mais membros e um maior volume de ativos, o que nos permite reforçar o apoio à comunidade", afirmou a responsável, filha de emigrantes naturais do concelho da Covilhã estabelecidos no Canadá nos anos 70.
Segundo a luso-canadiana, o valor representa um crescimento face ao ano anterior, sustentado pelo aumento do número de membros e do ativo total da instituição.
A Desjardins Caixa Portuguesa foi fundada em janeiro de 1969, conta atualmente com 8.662 membros e gere um ativo global de 427 milhões de dólares canadianos (cerca de 290 milhões de euros).
Emprega 18 pessoas e integra o grupo Desjardins, composto por 204 caixas independentes.
Para se tornar membro da instituição, é necessário ser cidadão português ou lusodescendente.
"Existem também membros auxiliares, que não têm ascendência portuguesa, mas que residem nas proximidades e podem utilizar os serviços, embora sem direito de voto na Assembleia-Geral Anual da Caixa", explicou Paula Bernardino.
Entre as iniciativas financiadas, destaca-se um programa de bolsas de estudo destinado a jovens luso-canadianos, que, para além de estudos universitários, foi alargado ao nível de ensino secundário e colegial há cerca de 12 anos.
"Já beneficiou cerca de 150 estudantes. Este ano vamos atribuir um número recorde de 18 bolsas, no valor de 500 dólares canadianos (340 euros) para estudos secundários e 1.800 dólares canadianos (1.206 euros) para bacharelato", indicou.
A cooperativa também disponibiliza apoio financeiro a membros portugueses que adquiram a sua primeira habitação, ajudando a pagar uma parte da chamada "taxa de boas-vindas" cobrada pela cidade de Montreal.
"Os nossos eixos prioritários são a cultura portuguesa, a promoção da literacia financeira, o bem-estar dos idosos e a motivação dos jovens para os estudos", sublinhou a presidente do conselho de administração.
A Caixa mantém um papel ativo na educação financeira da comunidade, com ações dirigidas tanto a idosos como a jovens.
"Os nossos funcionários conhecem bem os membros mais antigos e já conseguiram evitar situações de burla envolvendo montantes elevados", afirmou.
No final de 2023, a instituição deixou de usar cadernetas, sendo uma das últimas no Quebeque a fazê-lo.
"Foi um processo acompanhado com sessões informativas, porque cerca de 20% dos membros ainda utilizavam esse sistema", referiu Paula Bernardino.
Segundo a responsável, a literacia financeira continua a ser um desafio, sobretudo entre os mais jovens.
"Com o uso de aplicações móveis, é muito fácil gastar sem controlo. Quando os jovens vêm abrir uma conta ou concorrem às bolsas, aproveitamos para dar conselhos e sensibilização", disse.
Com uma maioria de membros de origem portuguesa, a Desjardins Caixa Portuguesa mantém uma forte ligação à comunidade luso-canadiana.
"Não somos apenas uma instituição financeira. Somos uma estrutura que apoia a cultura, a educação e o bem-estar da comunidade que nos viu nascer", concluiu.
De acordo com o recenseamento canadiano de 2021, viviam no Canadá 448.310 pessoas que se identificavam com ascendência portuguesa, das quais 46.535 residiam na região metropolitana de Montreal, no Quebeque.
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