O arcebispo Domenico Sorrentino, da diocese de Assis, em Itália, denunciou a venda de supostas relíquias de Carlo Acutis, o jovem que morreu aos 15 anos, em 2006, e será canonizado no próximo dia 27 de abril.
Segundo conta a CNN Internacional, o pároco já apresentou queixa às autoridades italianas e o caso está a ser investigado pelo Ministério Público de Perugia.
O alerta surgiu após um vendedor anónimo ter tentado vender fios do cabelo de Acutis, conhecido como o 'influencer de Deus', na internet. As licitações chegaram a atingir os dois mil euros, mas o lote foi retirado após o arcebispo - que lidera a diocese onde está o corpo de Acutis - ter denunciado o caso.
"Não sabemos se as relíquias são reais ou falsas, mas, mesmo que tudo fosse inventado, se houvesse um engano, estaríamos na presença não apenas de uma fraude, mas também de um insulto ao sentimento religioso", escreveu Sorrentino numa nota publicada no site da diocese.
"O negócio do comércio de relíquias é predominante", acrescentou. "Na internet, há um mercado de relíquias que dizem respeito a vários santos, como o nosso Francisco (de Assis), com uma lista de preços.
Na nota, o arcebispo adiantou que a venda de relíquias é "uma coisa impossível de aceitar" e afirmou: "Receio que Satanás tenha uma mão nisto".
Filho de pais italianos, Acutis nasceu em Londres, no Reino Unido, em 1991. A família mudou-se para o norte de Itália pouco depois, onde o menino pediu para receber a primeira comunhão, aos 7 anos.
O jovem foi adquirindo interesse por computadores e pela Internet, tendo criado um website que catalogava milagres e aparições da Virgem Maria aprovados pela Igreja Católica ao longo da história. O adolescente morreu em outubro de 2006, aos 15 anos, de leucemia mieloide aguda.
O Vaticano beatificou Acutis a 10 de outubro de 2020, depois de um menino que sofria de uma doença pancreática mortal ter ficado curado ao tocar numa relíquia sua.
Um segundo milagre ocorreu em 2022, alegadamente após a mãe de uma menina que teve um grave acidente de bicicleta ter rezado junto à sepultura do adolescente. A jovem, que tinha poucas hipóteses de sobrevivência, terá começado a respirar normalmente no dia da peregrinação da mãe e acabou por sobreviver.
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