"Manifestação... contra-manifestação... É tão antiga como a República. Mas isso não é saudável nem desejável, pois as nossas instituições organizam tanto a separação de poderes como a proteção da justiça", afirmou François Bayrou, numa entrevista ao jornal Le Parisien.
Considerada culpada de apropriação indevida de fundos públicos no caso dos assistentes parlamentares do seu partido no Parlamento Europeu, Marine Le Pen foi condenada na segunda-feira a quatro anos de prisão (incluindo dois anos com pulseira eletrónica) e a uma multa de 100 mil euros, juntamente com uma pena de inelegibilidade imediata de cinco anos que a impedirá de participar nas eleições presidenciais de 2027.
Marine Le Pen recorreu, tal como outros membros do partido União Nacional condenados no caso.
Na quarta-feira, em resposta à reação da líder da União Nacional, que invocou um "escândalo democrático" e manobras "do sistema" e dos seus aliados políticos, incluindo os estrangeiros, o Presidente francês, Emmanuel Macron, sublinhou, no Conselho de Ministros, que "a autoridade judiciária é independente" em França.
A União Nacional pediu, no entanto, uma "grande manifestação de apoio" a Marine Le Pen, no domingo, em Les Invalides, em Paris, com o mote "Salvar a democracia".
A líder do partido deverá discursar no local, onde são esperadas entre 5.000 e 8.000 pesssoas, segundo a polícia.
Várias manifestações em defesa do Estado de Direito, por oposição às de apoio a Marine Le Pen, foram convocadas para domingo, nomeadamente a promovida pelo partido França Insubmissa (esquerda radical) e pelos ecologistas, na Praça da República, também na capital francesa.
Leia Também: Quase metade dos franceses quer que Le Pen seja candidata ao Eliseu