Em declarações à Lusa, Carlos Moedas indicou, na sequência do despacho que assinou a propósito da manifestação do encerramento da campanha eleitoral do Ergue-te, que "em democracia há regras, há lei e ordem que devem e têm de ser cumpridas". "Seja a extrema-esquerda ou a extrema-direita. Comigo, como presidente da câmara, as regras são para cumprir. A lei e ordem são valores democráticos dos quais não abdico", acrescentou o autarca.
Numa publicação na rede social X, o presidente honorário do Ergue-te, José Pinto Coelho, criticou o despacho do autarca lisboeta, porque "volta a proibir" o partido de se manifestar no Martim Moniz.
"É claro que vamos lá estar! A 2ª reconquista começou!", referiu o dirigente, na mesma publicação.
O presidente do Ergue-te, Rui Fonseca e Castro, tinha também anunciado a 25 de abril uma manifestação para o Martim Moniz, que apesar de não ter sido autorizada pela Câmara de Lisboa, acabou por se realizar.
Esta manifestação não autorizada de apoiantes de extrema-direita culminou em confrontos com manifestantes antifascistas no Largo de São Domingos, entre o Rossio e o Martim Moniz, no centro de Lisboa, tendo sido detidos Rui Fonseca e Castro, o militante neonazi Mário Machado e um guarda prisional.
O presidente do partido Ergue-te, o líder do movimento 1143, Mário Machado, e o guarda prisional foram detidos e libertados nessa mesma noite, por suspeita da prática dos crimes de, respetivamente, desobediência, ameaça e coação a órgão de comunicação social, e resistência e coação, mas ainda não foram presentes ao juiz de instrução.
No despacho da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas baseou-se no parecer do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa e determinou "objetar a realização da manifestação e comício comunicados pelo partido Ergue-te", tendo em conta o "risco real e fundado de perturbação da ordem pública".
O autarca considera também que a manifestação é uma "afronta à dignidade de comunidades residentes em Lisboa e ameaça à convivência democrática", segundo o despacho a que a Lusa teve acesso.
No parecer da PSP, emitido no passado dia 07 e citado no despacho assinado pelo autarca, é feito a contextualização territorial e sociocultural da zona do Martim Moniz, onde "reside e trabalha uma significativa comunidade muçulmana e hindu, com expressões visíveis de identidade coletiva, locais de culto e práticas religiosas ".
A força policial levou em conta a informação divulgada publicamente pelo partido de a sua iniciativa incluir uma "refeição coletiva de porco no espeto" e a exibição da cruz de Cristo, "elementos de evidente carga ideológica, simbólica e provocatória".
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