O porta-voz do Livre, Rui Tavares, defendeu, este sábado, que o salário mínimo nacional (SMN) deve ser, "pelo menos, acima dos mil euros", havendo uma "paridade mínima" com o salário mínimo espanhol.
Em declarações aos jornalistas em Lisboa, à margem da manifestação nacional convocada pela CGTP, Rui Tavares começou por defender que "o salário mínimo deveria ser mais alto", lembrando que "historicamente foi introduzido ao mesmo tempo em Portugal e em Espanha".
"O salário mínimo português andou sempre a acompanhar o espanhol, foi sempre 80% do salário mínimo espanhol, até há cerca 10 anos, quando descolou. Hoje, é 70% do espanhol", apontou.
"Se formos um investidor estrangeiro que está a olhar para a economia ibérica, que é muito interligada, o que é que esse investidor vai pensar? Para alto valor acrescentado, para um trabalho mais especializado, mais complexo, mais sofisticado, que merece salários mais altos, o sinal que a economia espanhola me está a dar é que o limiar mínimo é mais alto. Para salários baixos, para uma economia menos especializada, onde é mais fácil explorar as pessoas com salários baixos, vou para Portugal", concretizou.
Para Rui Tavares, esta perspetiva "foi uma desgraça que aconteceu ao nosso pais" por responsabilidade de "governos de várias cores".
"Aquilo que o Livre defende é que haja uma métrica constante para o salário mínimo e que, entre outros critérios, um essencial seja uma paridade mínima com o salário mínimo espanhol, porque é a economia que esta aqui ao lado, é para aí que nós podemos perder investimento", disse.
Para o porta-voz do Livre, isto "significa termos salários mínimos acima dos mil euros para podermos acompanhar, pelo menos, o salário mínimo espanhol".
Trabalhadores de norte a sul do país manifestam-se hoje em Lisboa, Porto e Coimbra, numa ação convocada pela CGTP, para reivindicar aumentos de salários e de pensões.
Em Lisboa, a concentração arrancou pelas 15h00 no Príncipe Real e termina no Cais do Sodré.
Leia Também: Manifestação da CGTP no Porto reuniu mais de dois mil trabalhadores