A vice-presidente do Conselho de Jurisdição do Chega, Ana Caldeira, demitiu-se do cargo e foi exonerada das funções do Grupo Parlamentar do partido, após ter sido noticiado que estava a ser julgada por burla qualificada e falsificação de documentos.
"A doutora Ana Caldeira apresentou, ontem ao final do dia, a sua demissão do lugar de vice-presidente do Conselho de Jurisdição Nacional e também foi hoje exonerada das funções no Grupo Parlamentar do Chega", anunciou, esta sexta-feira, o líder do Chega, André Ventura.
Em declarações aos jornalistas, André Ventura defendeu que tomou a decisão que "tinha de tomar" e pediu as explicações que "tinha de pedir também".
"Como tenho dito sempre, o Chega é um partido mesmo diferente dos outros e faz mesmo diferente dos outros. Quando tem de tirar consequências, tira-as também", atirou.
Na noite de quinta-feira, a SIC Notícias avançou que Ana Caldeira terá tentado burlar um ex-sócio através da falsificação da assinatura de uma mulher que morreu em 2015.
O caso remonta a março de 2022, altura em que a advogada de profissão convenceu um antigo sócio a emprestar-lhe seis mil euros, que uma cliente precisava com urgência, sob a promessa de que receberia de volta 10 mil euros, no prazo de seis meses.
O contrato de confissão de dívida e o Termo de Autenticação, ambos registados no site da Ordem dos Advogados, foram alegadamente assinados por Maria Amélia Martins, a cliente em causa. Contudo, Maria Amélia Martins morreu em março de 2015.
O Ministério Público (MP) considerou que a advogada falsificou a assinatura "com o objetivo de fazer sua a quantia de 6 mil euros". Este valor foi devolvido, mas ficaram em falta os juros prometidos.
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