Questionado sobre a afirmação do secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, de que a votação no Livre contribuiria "indiretamente para uma vitória da AD", Rui Tavares respondeu que se os socialistas pretenderem ser governo "devem muito bem querer que o Livre cresça".
"Se fizerem bem o seu trabalho de conquistar votos ao centro, deixem estar que o Livre cresce nas outras áreas em que pode crescer: ecologia, liberdades, projeto europeu. Todas as questões que têm a ver com aquilo que as pessoas precisam para serem livres", acrescentou.
O porta-voz do Livre falava aos jornalistas, na Assembleia da República, num encontro com a imprensa para fazer um balanço do trabalho parlamentar do partido.
Tavares insistiu que há disponibilidade para fazer parte de um governo liderado pelos socialistas e acrescentou que, para haver condições de governabilidade à esquerda, o "PS deve procurar ter mais votos e mais mandatos do que a AD e o Livre procurar ter mais votos e mais mandatos do que a Iniciativa Liberal".
"Se isto acontecer, não vejo outra hipótese, senão o senhor Presidente da República dizer que tem que haver um governo mais progressista", disse.
Rui Tavares rejeitou que o partido possa ser prejudicado por uma adesão dos eleitores de esquerda ao chamado "voto útil" no PS, defendendo que as "pessoas reconhecem no trabalho do Livre um contributo importante para poder sair de uma crise profunda que o regime" atravessa.
O deputado disse que o Livre não procura ganhar deputados à custa de outros partidos defensores dos "direitos dos trabalhadores", mas sim conquistar quem está a "fugir para a extrema-direita" ou do "sentido de comunidade".
Sobre a posição da coligação PSD/CDS-PP sobre os debates televisivos com o Livre, BE e PAN, a líder parlamentar, Isabel Mendes Lopes, considerou que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "está a fazer batota quando escolhe com quer ou não debater", reiterando que "Rui Tavares não debaterá com nenhum outro candidato da AD que não seja Luís Montenegro".
Apesar disso, o partido não quis revelar o que fará caso a coligação não recue e apresente Nuno Melo, com Rui Tavares a defender que a "a bola está do lado da AD" e que, dependendo do que a coligação decidir, "logo se vê o que o Livre fará".
Questionado sobre expectativas para as próximas eleições, o líder do Livre afirmou que "quantos mais [deputados eleitos] melhor", mas acrescentou que, em causa, não está o "que o Livre quer", mas sim o que o partido pode oferecer, assegurando que "se os portugueses quiserem duplicar o grupo parlamentar do Livre, não só a qualidade não diminui como aumenta".
Rui Tavares defendeu também que o Livre pode crescer à esquerda pela defesa que faz da questão da liberdade, uma "batalha essencial" que considera que a "esquerda deixou escapar" para a direita.
Sobre a legislatura, em que o Livre viu aprovados 10 projetos de lei e 43 resoluções, a líder parlamentar Isabel Mendes Lopes destacou a aprovação da obrigação de vagas nos jardins de infância para crianças de três anos, bem como o alargamento das consultas de planeamento familiar ou a eliminação de posições remuneratórias intermédias para enfermeiros.
Apesar da satisfação com o trabalho do grupo parlamentar no último ano, Isabel Mendes Lopes admitiu "alguma frustração" com a forma como algumas propostas foram "discutidas e consideradas" pelo parlamento e por terem ficado pelo caminho "temas essenciais para melhorar a vida das pessoas".
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