Sérgio Sousa Pinto afirmou, esta sexta-feira, que decidiu sair da lista do Partido Socialista (PS) para as eleições legislativas de 18 de maio por considerar que "era o tempo de sair" e que a sua posição na lista de candidatos a deputados não foi a "questão central" da decisão, mas um "detonador".
"Tomei a decisão difícil de não integrar as listas do Partido Socialista porque senti necessidade de me interrogar. As listas que o Partido Socialista apresentou obrigaram-me a enfrentar questões difíceis sobre o meu papel nesta grande orquestra da política portuguesa e do Partido Socialista e não encontrei - nesta fase da vida nacional e da minha vida - uma reposta que me parecesse satisfatória", afirmou, em declarações à CNN Portugal.
O socialista afirmou que teve em conta "questões que têm a ver com o posicionamento, escolhas e grandes opções do partido". "São questões que para mim são angustiosas e que acabaram por vir ao de cima de forma insuportável no momento em que o Partido Socialista decidiu organizar as suas listas de candidatos ao Parlamento", explicou.
Questionado sobre se decidiu sair por ocupar o quarto lugar da lista pelo círculo de Lisboa, Sousa Pinto explicou que, na segunda-feira, teve uma "conversa com o líder do partido", Pedro Nuno Santos, na qual foi "amavelmente convidado a integrar as listas do partido".
"Aceitei, como sempre aceitei. Desconhecia as listas, só passei a conhecê-las na quarta-feira quando toda a gente teve também oportunidade de as conhecer", assegurou, garantindo, contudo, que o posicionamento "não é a questão central" que levou à sua saída.
"A lista funcionou como um detonador e um pretexto que me obrigou a enfrentar certas realidades difíceis sobre o meu papel e o papel que me está reservado nesta fase da vida nacional e na vida do partido. Considerei - e digo isto sem ressentimentos - que, para estar de bem comigo, este era o tempo de sair", acrescentou.
Sérgio Sousa Pinto disse ainda ter olhado para a "valoração das pessoas" que o PS faz e considerou ter "dificuldade em integrar nestas condições as listas" do partido.
"Se as listas não tivessem pretensão nenhuma eram ordenadas por ordem alfabética, as listas exprimem a avaliação política das pessoas e nós todos temos de estar confortáveis com essa avaliação", disse, frisando que "a partir do momento em que uma pessoa não se sente bem, deve sair" e "deve sair sem dramas".
"Devemos fazer isso com humildade e, infelizmente, este episódio acabou por ter um impacto que para mim foi desproporcionado", lamentou.
Recusou ainda que exista outra intenção política por trás da sua decisão. E assegurou: "Nunca uma decisão minha foi determinada por um qualquer cálculo relacionado com as minhas aspirações políticas e esta não foi exceção".
Como "militante e apoiante" do PS, Sérgio Sousa Pinto fez questão de desejar as "maiores felicidades aos camaradas que se vão candidatar nas próximas eleições e ao secretário-geral, Pedro Nuno Santos", e adiantou que não deixará de "dar contribuição na campanha" eleitoral, sendo esta uma "obrigação" que cumpre com "alegria".
"A minha ligação com o Partido Socialista é fortíssima e eu considero que é possível servir o país e dar uma contribuição útil fora da Assembleia da República", afirmou.
Recorde-se que Sérgio Sousa Pinto, em quarto lugar na lista por Lisboa aprovada em Comissão Política Nacional, comunicou, na manhã de quinta-feira, que recusa ser candidato a deputado nas próximas eleições legislativas.
Fonte da direção do PS adiantou à Lusa que, depois de antes ter aceitado voltar a ser candidato, o deputado informou Pedro Nuno Santos que não queria integrar as listas devido ao seu lugar e aos três nomes que o antecedem.
À frente de Sérgio Sousa Pinto estavam a cabeça de lista e ex-ministra, Mariana Vieira da Silva, o ex-secretário de Estado Miguel Cabrita e a antiga vice-presidente do Parlamento Edite Estrela.
Já esta sexta-feira, Pedro Nuno Santos defendeu que a recusa de Sérgio Sousa Pinto não fragiliza o partido.
"O que é importante referir, é nós termos tido, por exemplo, na aprovação das listas, uma quase unanimidade e essa é a força do Partido Socialista que está profundamente unido neste combate eleitoral", afirmou Pedro Nuno Santos, reagindo à recusa de Sérgio Sousa Pinto e de Fernando Medina em integrar as listas às próximas eleições legislativas.
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