"Conforme decorre da Resolução do Conselho de Ministros nº 69/2025, de 10 de março, a ponte sobre rio Maçãs é um dos investimentos rodoviários identificados como prioritários por este Governo, tendo sido determinada à Infraestruturas de Portugal, S.A. que prossiga com os estudos e ações tendo em vista a concretização do mesmo", indicou o Ministério das Infraestruturas em resposta à agência Lusa.
Em 20 de março, foi publicado em Diário da República (DR) que a dotação financeira para dar andamento aos trabalhos da ponte sobre o rio Maçãs, na Estrada Nacional 218 (EN218), tenha uma cabimentação pública de 500 mil euros para 2025, oito milhões de euros para 2026, de 14,5 milhões de euros para 2027 e sete milhões para 2028.
"A organização do território e o reforço da coesão nacional é um dos grandes desafios do país. Corrigir assimetrias regionais e procurar o equilíbrio de oportunidades de todos os cidadãos, independentemente do local onde vivam, é função fundamental do Estado", lê-se na publicação em DR.
Para o presidente da Câmara de Vimioso, António Santos, esta decisão do Conselho de Ministros é o concretizar dos anseios com mais de 30 anos das populações de Vimioso e dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta, para uma "ligação mais rápida e segura" a Bragança e à Autoestrada Transmontana (A4).
"Estive reunido com responsáveis da IP, na quarta-feira, e estou convencido que chegamos a um ponto que não tem retorno. A ideia desta ligação começou a ganhar forma em 1998 com a ligação a Bragança pela margem esquerda do rio Sabor, ligando Vimioso a Outeiro, a qual não foi autorizada por diversos pareceres ambientais devido a uma colónia do famoso rato-de-cabrera", lembrou o autarca social-democrata.
António Santos disse à Lusa que os acessos à ponte são "um dado adquirido", porque "a IP está a trabalhar afincadamente neste projeto da ponte sobre o rio Maçãs e respetivos acessos".
"É preciso limar algumas arestas, principalmente em matéria de segurança rodoviária desta infraestrutura. Há algumas inconformidades e, segundo fui informado, serão facilmente resolvidas em colaboração com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR)", vincou.
O autarca de Vimioso acrescentou ainda que tem garantia "absoluta" que até ao início do primeiro semestre de 2026 será lançado o concurso internacional para a execução desta obra.
"Os 500 mil euros inscritos para 2025 são para pagamentos aos projetistas que estão a fazer as respetivas correções de segurança solicitadas pela ANSR. Os oito milhões de euros previstos para 2026 serão para execução dos trabalhos, bem como os 14,5 milhões de euros para 2027. Estou convencido que em janeiro, e de acordo com o que me foi dito na reunião com a IP, a obra esta a começar", afiançou António Santos.
O autarca frisou que, até ao dia de hoje, o que se fez foi arrastar esta obra ao longo de 30 anos e agora está convicto que, independentemente de quem governar o país, não haverá retrocessos neste "projeto de vital importância" para o Planalto Mirandês e para o distrito de Bragança.
Em março de 2009, a construção de uma estrada naquele local foi travada pela presença de uma colónia de ratos-de-cabrera, protegidos pela União Europeia, e a opção foi definitivamente abandonada pelo governo de então, que optou como solução pela construção da ponte sobre o rio Maçãs e respetivos acessos, devido aos "inúmeros condicionalismos ambientais".
Em dezembro de 2022, a então ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, garantia "a possibilidade de financiamento" da ligação Vimioso-Carção, com a respetiva ponte, "por se tratar de um caso excecional" para estradas que correspondam a ligações transfronteiriças.
Leia Também: Lançado concurso para elaboração de estudo prévio sobre variante a Vila Verde