Azerbaijão impõe condições para assinar acordo de paz com a Arménia

O Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, afirmou hoje que a Arménia deve aceitar as "exigências legítimas" de Baku antes de assinar um acordo de paz há muito aguardado.

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© OZAN KOSE/AFP via Getty Images

Lusa
02/04/2025 14:04 ‧ ontem por Lusa

Mundo

Ilham Aliev

Os dois países do Cáucaso travaram duas guerras, uma vencida pela Arménia após o colapso de 1991 da União Soviética, e outra pelo Azerbaijão em 2020, pelo controlo da região de Nagorno-Karabakh, situado em território azeri.

 

As forças do Azerbaijão reconquistaram finalmente toda a região aos separatistas arménios em setembro de 2023.

Em março, o Azerbaijão e a Arménia anunciaram que tinham chegado a um acordo de paz, na sequência de negociações destinadas a resolver décadas de conflito.

O acordo ainda não foi assinado.

"A bola está no campo da Arménia. Se a Arménia quer realmente assinar o acordo de paz, deve aceitar estas duas exigências legítimas do Azerbaijão", declarou Aliev, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O Azerbaijão quer que a Arménia retire da Constituição uma referência à declaração de independência de Nagorno-Karabakh, que Baku denomina apenas por Karabakh desde 2021, por decisão de Aliev.

Tal alteração exigiria a realização de um referendo na Arménia, o que poderia atrasar ainda mais a finalização do acordo.

Aliev exige igualmente a dissolução do Grupo de Minsk da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), criado no início dos anos de 1990 para encontrar uma solução diplomática para o conflito.

O Grupo de Minsk é copresidido pela Rússia, França e Estados Unidos.

Estas exigências "não são novas", mas o Azerbaijão "ainda não recebeu uma resposta séria da Arménia", afirmou Aliev numa conferência de imprensa com o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.

"Uma vez satisfeitas estas duas condições, não haverá qualquer obstáculo à assinatura do tratado de paz", assegurou.

No final de março, o primeiro-ministro arménio, Nikol Pachinian, apelou ao Azerbaijão para assinar o acordo de paz.

"Proponho ao Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, que inicie consultas para a assinatura do acordo de paz, cujo projeto foi aprovado", declarou Pachinian.

O anúncio de um futuro acordo de paz foi acolhido com entusiasmo pelos Estados Unidos, a União Europeia e vários líderes europeus, mas os críticos consideram que a verdadeira reconciliação continua incerta.

Nagorno-Karabakh, uma região montanhosa do Azerbaijão de maioria arménia, declarou a independência de Baku na sequência da desintegração da União Soviética.

A declaração da independência, apoiada pela Arménia, desencadeou um conflito armado que foi ganho pelos separatistas.

Trinta anos mais tarde, no outono de 2020, as forças armadas do Azerbaijão reconquistaram dois terços do território, situado no sul do Cáucaso, a que se seguiu o controlo total, três anos depois.

Leia Também: Nagorno-Karabakh. Arménia pede ao Azerbaijão que assine acordo de paz

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