Câmara dos Deputados do Brasil aprova lei da reciprocidade após tarifas

A Câmara dos deputados do Brasil aprovou esta quarta-feira o projeto de lei de reciprocidade em comércio externo em resposta às tarifas de 10% aos produtos brasileiros anunciadas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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Lusa
02/04/2025 23:59 ‧ ontem por Lusa

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O projeto de lei permite ao Poder Executivo adotar medidas a países ou blocos económicos que criarem medidas de restrição às exportações brasileiras, sejam de natureza comercial, ou de origem do produto.

 

O projeto de lei tinha sido aprovado na terça-feira no Senado, hoje a Câmara dos Deputados ratificou o projeto, com o texto agora a seguir para ser aprovado pelo Presidente brasileiro, Lula da Silva.

"Este episódio entre Estados Unidos e Brasil deve nos ensinar definitivamente que, nas horas mais importantes, não existe um Brasil de esquerda ou de direita, existe apenas o povo brasileiro e nós representantes do povo temos de ter a capacidade de defender o povo acima de nossas diferenças", disse o presidente da Câmara, Hugo Mota, antes da votação.

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, apenas ultrapassados pela China e em 2024, o país exportou 37,16 mil milhões de euros (ao câmbio atual) e importou 37,39 mil milhões de euros.

Enquanto o projeto era votado, o Governo brasileiro emitiu uma nota destacando a aprovação pelo Senado e lamentando a decisão tomada pelos Estados Unidos.

"A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA", frisou o Ministério das Relações Exteriores brasileiro.

A diplomacia brasileira contestou ainda a argumentação de Donald Trump sobre as tarifas já que "os EUA registam recorrentes e expressivos superavits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos".

Segundo o Governo brasileiro, na última década e meia os norte-americanos registam um superavit de 378 mil milhões de euros com o Brasil.

"A imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a 'reciprocidade comercial' não reflete a realidade", denunciou o Governo brasileiro.

"À luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio, o governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos", lê-se no comunicado.

Horas antes, o ministro das Relações Exteriores do Brasil conversou  por telefone com o representante de Comércio dos Estados Unidos sobre as tarifas de 25% ao aço e alumínio, que já tinham sido anteriormente impostas unilateralmente.

Fonte do Itamaraty detalhou à Lusa que os dois responsáveis "combinaram que as equipas se reunirão virtualmente na semana que vem".

De acordo com o jornal brasileiro Poder360, o Brasil é o principal exportador mundial de alumínio e o 2.º maior vendedor de aço bruto para os Estados Unidos.

Trump anunciou na quarta-feira a imposição de "tarifas recíprocas" sobre importações, incluindo de 25% sobre todos os automóveis estrangeiros.

De acordo com a referida tabela, a China aplica tarifas de 67% sobre produtos norte-americanos e os seus produtos passam a pagar 34% para entrar nos Estados Unidos; os países da União Europeia (UE) passam a pagar 20% de tarifas, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais estimadas.

Para aceder ao mercado norte-americano, os produtos do Japão passam a pagar 24%, os da Índia 26%, de Taiwan 32% e do Vietname 46%.

Ao Reino Unido e Brasil passam a ser aplicados 10%, correspondentes ao aplicado aos produtos norte-americanos, disse ainda Trump.

"Chamamos a isto recíproco simpático", disse Trump, que frisou que "gostaria" de aplicar "reciprocidade total".

Os direitos aduaneiros específicos de cada país ou bloco económico, como a UE, começarão a ser aplicados a partir de 09 de abril, afirmaram à imprensa funcionários da Casa Branca.

A tarifa-base de 10% começará a ser aplicada mais cedo, no sábado, 05 de abril, segundo estas fontes citadas pela EFE.

[Notícia atualizada às 07h31]

Leia Também: Reino Unido descarta retaliação a tarifas dos EUA e procura "acordo"

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