O CDS e PSD reuniram-se, esta quarta-feira, para discutir a polémica sobre o nome com que vão a eleições - depois de o PPM 'saltar' desta coligação e apontar que os partidos não poderiam usar AD para ir a votos.
"Chegámos à conclusão de que o nome que propomos respeita os critérios que o Tribunal Constitucional elenca no dito acórdão. Queria recordar os portugueses que ao usarmos a sigla AD - Coligação PSD/CDS estamos a deixar de uma forma muito clara e transparente que esta coligação é representada pelos seus secretários-gerais", afirmou, em conferência de imprensa, em Lisboa.
"Não há nenhuma confusão e é absolutamente distintivo de qualquer outro elemento que se tenha usado no passado com referência por extenso à Aliança Democrática. A AD é o nome pelo qual nós somos conhecidos numa coligação entre o PSD e o CDS", acrescentou.
O social-democrata recordou também que nos anos 90 o CDS e o PPM já tinham usado "precisamente a denominação Aliança Democrática", com o PSD "de fora".
"Nenhuma português se recordará de nenhuma crítica, queixume, lamúria por parte do Partido Social Democrata sobre essa matéria. Respeitamos democraticamente a escolha que o CDS e o PPM então decidiram fazer. E também não houve nessa altura nenhuma objeção pro parte do Tribunal Constitucional. O nome que escolhemos para a nossa candidatura é o nome pelo qual somos conhecidos, é verdade. Mas ela é distintiva porque ela tem o nome 'Coligação PSD/CDS'", defendeu.
O líder parlamentar apelou ainda aos portugueses que, no dia das eleições, a 18 de maio, estivessem atentos aos boletins de voto, por forma a não haver confusões como as denunciadas nas últimas eleições. "O apelo que faço aos portugueses - e não me levarão a mal - é que no dia 18 possam votar na coligação PSD/CDS e que distingam bem no boletim de voto a AD - Coligação PSD/CDS do outro partido que, muitas vezes, se confunde na lista de voto no grafismo com a nossa candidatura - que é o ADN, como sabem. A AD - Coligação PSD/CDS não é o ADN", reforçou.
Questionado sobre a possibilidade de o Tribunal Constitucional chumbar a ideia, Hugo Soares apontou que estava que estava convicto de que "do ponto de vista jurídico" o nome agora proposto "cumpre os requisitos que o tribunal Constitucional nos impôs."
Note-se que o Tribunal Constitucional recursou o pedido da coligação para usar a denominação 'AD - Aliança Democrática - PSD/CDS' nas próximas Legislativas, argumentado que haveria um "indubitável risco de indução dos eleitores em erro".
Os juízes do Palácio Ratton consideraram que há um "real conflito entre denominações" da coligação que se apresentou o ano passado e a que pretende avançar nas Legislativas deste ano sem que a "identidade partidária de suporte" seja a mesma, uma vez que o Partido Popular Monárquico (PPM) não integra as listas.
Na quarta-feira passada à noite, os Conselhos Nacionais do PSD e do CDS-PP aprovaram uma coligação pré-eleitoral entre os dois partidos para as eleições antecipadas de 18 de maio, sem o PPM, ao contrário do que aconteceu nas Legislativas e Europeias de 2024.
O Partido Popular Monárquico (PPM) ameaçou avançar com uma providência cautelar no início desta semana para impedir o uso da designação 'Aliança Democrática' pela coligação PSD/CDS-PP, alegando estar a ser "gravemente lesado".
[Notícia atualizada às 16h24]
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