"Não se trata de uma demonstração de força, pelo contrário, é uma defesa muito clara e profunda do Estado de Direito e da democracia francesa. É, na realidade, uma mobilização, não contra, mas a favor da democracia francesa", declarou, sobre esta manifestação anunciada pelo seu partido, o União Nacional (RN, na sigla em francês), falando aos jornalistas na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, onde é também eurodeputado.
Um tribunal de Paris condenou na segunda-feira Marine Le Pen por desvio de fundos no Parlamento Europeu a uma pena que a impede de se candidatar às presidenciais previstas para 2027, para as quais era a favorita.
Le Pen, de 56 anos, anunciou que vai recorrer da decisão do tribunal, que a condenou também a quatro anos de prisão, dois com pena suspensa e dois com pulseira eletrónica.
Vinte e três outras pessoas foram condenadas, bem como o partido Frente Nacional (FN, atual RN). O montante total desviado foi de 4,4 milhões de euros, dos quais 1,1 milhões de euros já foram reembolsados.
Marine Le Pen -- presidente do grupo parlamentar do RN na Assembleia Nacional francesa - e o seu partido denunciaram que a sua condenação é um "escândalo contra a democracia", sublinhando "a interferência de juízes" e as manobras do "sistema".
Na sequência da decisão de inelegibilidade por cinco anos - decisão que não pode ser alvo de recurso -, o RN anunciou que vai organizar uma contraofensiva política e mediática para exigir uma decisão rápida sobre o recurso para que Le Pen possa candidatar-se às presidenciais.
A União Nacional anunciou a convocação de uma manifestação para o próximo domingo, em Paris, de apoio a Le Pen, tal como anunciado na noite de segunda-feira pelo líder do partido, Jordan Bardella, que encorajou a extrema-direita a sair à rua para protestar contra a decisão judicial.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, lembrou hoje, durante o Conselho de Ministros, "que a autoridade judicial é independente" e "que os magistrados devem ser protegidos".
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